Análise semiótica da letra da canção “Era uma vez”

Com base na teoria semiótica, propõe-se a análise da letra da canção “Era uma vez”, de autoria de Kell Smith, em que serão enfatizadas as oposições semânticas tais como a oposição mínima felicidade/tristeza, no nível fundamental, e, no nível narrativo a partir do ponto de vista de um sujeito, as relações intersubjetivas e as relações entre sujeito e objeto, restringindo-se somente à análise do plano de conteúdo do texto.
Autores: Júlio César Gonçalves de Assis

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Este artigo recebeu Menção Honrosa pela Comissão Científica do UEADSL2017.2

15 thoughts on “Análise semiótica da letra da canção “Era uma vez”

  1. Este artigo propõe uma análise da popular canção “Era uma vez”, pela perspectiva da semiótica francesa. Vale a pena ler e aprender um pouco sobre a oposição felicidade e tristeza nesse texto.

  2. Olá, pessoal!

    Sejam todas e todos muito bem-vindos! Dou as boas-vindas também às professoras Ana e Daniervelin.

    Bom evento a todas e a todos!

  3. Primeiramente, parabéns aos realizadores do UEADSL, ao pessoal do Texto Livre, a UFMG e a todos os demais que porventura eu não tenha citado aqui. Muito interessante e “atual” essa

    Sou Alexandre, orientando do professor Waldir Beividas, no mestrado em Linguística-Semiótica pelo DL da USP.

    Bora lá!

    Júlio, gostei, MESMO, do seu trabalho! Primeiro porque o córpus – a música em si – é bão que só!
    Segundo, e mais importante que o primeiro, o objeto é complexo, e você deu soluções e “não-soluções” pertinentes ao escopo da tua pesquisa, do tipo, sem ser pretensioco, você finalizou coisas e deixou em suspenso outras de uma maneira muito boa, penso.

    Vou levantar alguns pontos aqui para discussão mas, por favor, sou tão “destinatário em vias de aquisição de competência” quanto você, assim, não hesite na réplica! Aliás, tem gente lá do departamento muito mais competente que eu, então, não me sinto à altura do papel atorial “mesário” do evento. De qualquer forma, bora lá!

    obs: que os nossos professores estejam aqui para me/nos ajudar! ;}

    Impressões/ sugestões
    Na pág. 2 do teu paper, se diz assim “deixando de lado, no plano de expressão, questões de ordem mais artística e poética”. Bem, eu senti certo estranhamento, uma vez que a isomorfia dos planos (Hjelmslev) são interdependentes, e, antes mesmo de serem arte, fazem parte de um sistema linguístico. A passagem soou como “isso aqui requer um tratamento dos estudos da arte/estética”.

    Na pág. 3, quando escreve “um mundo literário do era uma vez”, penso que se convoca o gênero “literatura” em detrimento do mais amplo “ficção”, o qual abarcaria, além deste, outros gêneros como a contação de história, a hq, mangá, rpg, etc.

    Na pág. 4, se fala sobre termos eufóricos/disfóricos como coisas que “se projetam sobre as oposições fundamentais do quadrado”, quando, me parece, eles são gerados à medida que o texto se contrói (pag 37 do Dicionário de Semiótica, ver Axiologia), e se estabelecem sua dêixis.

    Na pág 4 ainda, Júlio, o texto fala sobre a oposição fundamental felicidade x tristeza, clara na taxionomia do universo narrativo traçado no respectivo quadrado. É dito que “não há indicação explícita de que a fase adulta seja triste”, assim, pelo que observei graças à própria análise, e ao objeto, a oposição se dá justamente entre “infância x velhice” os quais são figurativizados nas micro relações “arranhão”, “lanche”, “ingenuidade” x “coração partido”, “mundo mau”, “maldade”. Obs: no trecho “Dava pra ver a ingenuidade, a inocência Cantando no tom” me passa a ideia de um sujeito em plena conjunção com o objeto “inocência e ingenuidade”, ancorados à própria infância.

    Dúvidas
    Lá na página 4, quando se fala “É o destinador, que não se confunde com o sujeito (sendo este último o destinatário), que define os valores que estão em jogo e os doa ao sujeito.” senti falta de se expor “quem/ o quê” é o Destinador. Você supõe que seja quem/o quê? Em dado momento, me pareceu um sincretismo atorial aí, mas não sei… E a figura do “responsável” também me pica atrás das orelhas, quando se fala do colo.
    (PS: ainda me vislumbrou a ideia de Destinador Trasncendente, categoria usada pelo Tatit em Semiótica à Luz de Guimarães Rosa, no capítulo “O nada e a nossa condição”. Se puder, de uma conferida.)

    Outra coisa: na última estrofe, “Dá pra viver…” me parece também que há uma debreagem de sujeito, de outro sincretismo, aquele que foi um dia criança e aprendeu que a fase adulta, em verdade, é uma etapa que, mais do que ser “ruim”, ela é etapa necessária como passância (caminho) e não fim (final). Pra mim você foi muito assertivo aqui “A sanção do destinador é negativa, e o sujeito vai tentar convencer o destinador de retomar o contrato para, de algum modo, recuperar os valores perdidos e voltar ao estado de conjunção com a felicidade, ainda que esteja num outro universo de valores”. Ainda assim, o que você percebe na última etapa da letra em termos narrativos, e o que você considera, através do texto “felicidade real”?

    Júlio, desculpe se não fui claro em algum momento, e a encheção virtual de texto. Foi um prazer lê-lo!

    • Caro Alexandre,

      Agradeço imensamente sua contribuição. Confesso que seus apontamentos abriram muitas outras perspectivas que eu não havia sequer imaginado.

      Bom, quando às suas impressões/sugestões, acho que foram bem pertinentes. Só gostaria de comentar a primeira. No trecho referido, não deixei de pensar na interdependência dos planos. Mas, uma vez que o plano de conteúdo é o que está em foco, este foi privilegiado. No meu entendimento, não é que as questões de ordem artística ou poética precisem de um estudo de estética. Na verdade, essas questões pertencem a outro plano – o da expressão – que se distingue do primeiro. Segui neste ponto, o trabalho do Luiz Tatit (Análise semiótica através de letras).

      Em relação à sua primeira dúvida, acho que é possível sim pensar em sincretismo atorial, uma vez que um ator pode assumir mais de um papel no nível narrativo. Só não estou certo se, pensando assim, teria de mudar a sequência do parágrafo quando me refiro ao contrato.

      Agradeço as sugestões de leitura. Bom, sei que respondi muito pouco ou quase nada do que você perguntou/propôs/analisou. Espero retomar suas excelentes colocações, ainda que me falte, confesso, destreza para lidar com muitos dos conceitos da análise semiótica, o que não me permite ainda dar respostas mais precisas.

  4. Imagina, eu que agradeço a réplica. Como disse, eu e você estamos na mesma busca acadêmica. Abraço e prossiga na tua carreira ae!

  5. Poxa vida, gostei demais! Como disse o colega acima, a música em análise é boa demais, o que já faz valer a experiência de leitura rs
    Mas também gostei muito da forma como você abordou o tema, numa escrita clara e acessível, perfeita para pessoas leigas no assunto (como eu!).
    Parabéns pelo trabalho!

    • Prezada Madelene,

      Obrigado pela participação. É muito interessante mesmo a análise de música em Semiótica. Se é uma canção que a gente já conhece, os detalhes explorados nos proporcionam boas surpresas. Os comentários do Alexandre, por exemplo, me fizeram ver muitas outras possibilidades que eu não havia pensado.

      Essa questão de pessoas leigas no assunto a que você se referiu é muito importante. A Semiótica trabalha com muitos conceitos que às vezes demandam tempo e trabalho para a compreensão. O analista deve ter sempre em mente, se ele entende que seus trabalhos devam alcançar também um público não especializado, sua abordagem tem que ser traduzida numa linguagem o mais acessível possível sem perder a riqueza e o rigor da análise.

    • Prezada Madelene,

      Obrigado pela participação. Realmente o trabalho com músicas em Semiótica é muito interessante. Se é uma música do nosso conhecimento, a análise nos mostram detalhes que não percebemos. Os comentários do Alexandre, por exemplo, me fizeram pensar em muitas coisas que eu não havia percebido.

      Essa questão a que você se referiu de chegar às pessoas leigas no assunto é fundamental. A Semiótica tem muitos conceitos, e isso às vezes pode desinteressar um público não especializado. Assim, segundo entendo, o analista dever ter sempre em mente que, se quer que seu trabalho alcance um público bem amplo, ele deve traduzir-lo em linguagem acessível sem perder em rigor e qualidade.

      • Sim, Júlio. COmo disse a Madelene, você de fato deixou a coisa muito mais acessível, e isso não é só o espírito do bom semioticista, mas de um bom pesquisador no geral. Parabéns de novo!

  6. Caro Alexandre,

    Mais um pequeno comentário a partir dos seus apontamentos. Segue seu comentário:

    “Na pág 4 ainda, Júlio, o texto fala sobre a oposição fundamental felicidade x tristeza, clara na taxionomia do universo narrativo traçado no respectivo quadrado. É dito que “não há indicação explícita de que a fase adulta seja triste”, assim, pelo que observei graças à própria análise, e ao objeto, a oposição se dá justamente entre “infância x velhice” os quais são figurativizados nas micro relações “arranhão”, “lanche”, “ingenuidade” x “coração partido”, “mundo mau”, “maldade”. Obs: no trecho “Dava pra ver a ingenuidade, a inocência Cantando no tom” me passa a ideia de um sujeito em plena conjunção com o objeto “inocência e ingenuidade”, ancorados à própria infância.”

    Na minha opinião, as duas oposições (felicidade x tristeza e infância x velhice) são possíveis no texto. Só não penso que a palavra velhice seja adequada, nem como pressuposto. No artigo, eu utilizei ‘vida adulta’, porque a fronteira da infância (“a agente quer crescer”) é fundamental para a relação do sujeito com o(s) objeto(s) . Mas pode ser que haja um termo mais adequado.

    • Júlio, concordo plenamente. A solução que dei – velhice – não satisfez a mim também. Talvez não tenhamos tal termo no português.
      Eu gostaria de alguma entrada como “adultez”, rs.
      A tua oposição, sim, opera bem para a análise também.

  7. Parabéns pelo trabalho! Muito bom trabalhar com música, é uma das minhas paixões. Excelente análise. E a música é muito boa, vale a pena ler e ouvir suas considerações, ainda mais sobre oposições semânticas.

    • Viviane,

      Obrigado pela contribuição. Os trabalhos com música são sempre muito interessantes, sobretudo quando se gosta de música e quando determinadas músicas estão próximas de nós de alguma forma, do nosso dia a dia, da nossa vida.

  8. Foi um prazer acompanhar seu trabalho, Júlio! A cada avaliação ele foi crescendo e a semiótica deixou de ser só uma teoria a ser aplicada para dar luz de fato aos sentidos do texto analisado. Parabéns e espero que continue na semiótica. Pretendemos fazer reuniões no ano que vez para estudar textos da semiótica. Você será bem-vindo se quiser participar.

    abraço,
    Daniervelin

    • Daniervervelin,

      Quero agradecer imensamente pelo acompanhamento neste trabalho ao longo do semestre. Agradeço também o convite.

      Parabéns a você e a todos pela realização deste UEadSL.