Bolhatrix

Imagine que, ao invés de apenas ler as palavras a seguir, você está as ouvindo de uma mensagem de vídeo que começou a tocar no seu computador, sabe-se lá de onde ou por que razão. A mensagem é falada por um sujeito de voz grave, óculos escuros e que poderia muito bem
ter em cada mão uma pílula de cor vibrante. Dá pra ver o reflexo das mãos e das pílulas nos óculos escuros dele. Ele diz mais ou menos assim: (clique aqui para ler o texto que chega de fora da matrix)
Autor: Alexandre Oliva

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32 thoughts on “Bolhatrix

  1. Pingback: Liberdade, liberdade abre o UEADSL2017.1 – Ciência Aberta

  2. Alexandre Oliva como sempre brilhante, a Bolhatrix infelizmente se tornou uma realidade e precisamos fortalecer a Resistência GNU para ajudarmos até mesmo aqueles que decidem pelo lado das deliciosas ilusões. Professores de instituições públicas presencial ou EaD) deveriam estimular o uso de Software Livre e principalmente o Sistema Operacional GNU. O uso de softwares como o LibreOffice deveria ser estimulado.
    Sou aluno do Curso de Computação na UFPB na modalidade EaD e vejo que muitos professores solicitam trabalhos em formatos privativos como o Micro$soft Office, isso desestimula o uso do Software Livre e ao mesmo tempo fomenta o uso de software privativo. Ao meu ver, a Academia tem obrigação de formar cidadãos livres e se mesmo esses cidadãos conhecendo a liberdade escolherem o mundo das ilusões aí exercido o seu livre direito de não ser livre.

    • Obrigado pelo retorno positivo, alex e cris

      A “escolha” de software privativo na educação, que acaba virando uma imposição para os alunos, é um problemão sobre o qual já escrevi:
      http://fsfla.org/blogs/lxo/pub/livre-educar
      Esse artigo acabou tendo um impacto muitíssimo maior que eu esperava, ao ser utilizado como base para questões de um exame vestibular, se não me engano da UNESP. Imagine minha surpresa e alegria de pensar que tantos jovens haviam sido convidados a ler, interpretar e refletir a repeito?
      Fica aqui registrado meu agradecimento público aos responsáveis por essa surpresa tão gostosa. Torço para que tenha sido duradoura a influência dessas reflexões sobre os jovens que prestaram aquele vestibular. Hoje já devem estar formados, e quem sabe alguns venham a se tornar professores e ajudem a consertar esse problema.

      https://www.gnu.org/education/education.html tem mais material a respeito desse tema.

  3. Ótima observação a respeito da dependência dos usuários de determinados serviços. Realmente, as vezes acreditamos ser necessário utilizar um software privativos mas a verdade é que nem sempre procuramos por alternativas que preserve nossas liberdades.

  4. Olá Alexandre Oliva,

    Sou servidor da UFMG, Técnico em TI. Trabalho na Coordenadoria de Assuntos Comunitários. Conseguimos em meu setor eliminar completamente o uso de softwares não licenciados substituindo por opções livres, como é o caso do LibreOffice. O que dá para perceber é que muitas vezes o usuário não conhece tais alternativas, e quando as conhece surpreende-se com o potencial do Software Livre. O incentivo ao uso de ferramentas livres é uma luta diária e em alguns momentos solitária, mesmo trabalhando em uma instituição PÚBLICA. Parabéns pelo texto.

  5. Como me sinto identificada por ser uma usuário da Bolhatrix… O único livre em meu PC é o livreoffice, estou tão imersa neste sistema que fiquei chocada ao ler o artigo, houve um momento que tentei passar para o Linux, fiquei apt-get crazy! Estamos tão acostumados à facilidade que nos dão em troca de nossos dados e sermos suas cobaias, que resulta um luta sair desta emboscada.

    • Oi, Claudia,
      Que delícia descobrir que escrevi especialmente pra você 🙂
      Aproveite bem essa vontade que lhe deu!

  6. Excelente artigo!! Nos leva a uma reflexão para percebermos o quanto somos reféns do sistema.
    Penso que o conhecimento a respeito dos Software Livre potencializa a sua maior aplicabilidade.
    Abrçs

  7. Olá, Alexandre Oliva, gostei bastante do texto Bolhatrix. Concordo com você. O assédio que os softwares proprietários fazem juntos as pessoas que utilizam computadores com esses softwares e seus aplicativos é fato. Parece que a intenção dos softwares proprietários é tornarem-se donos também de seus usuários, tornando-os dependentes e sem perspectivas de liberdade. Nesse aspecto, muitos usuários de softwares proprietários ainda não sabem da existência dos softwares livres e acreditam que aqueles são as únicas opções que existem. Ademais, muitos pessoas já sabem de sua existência; no entanto, não tem interesse em utilizá-lo sob a alegação de que é difícil aprender a utilizar um “novo software”. Me considero uma professora privilegiada, por ter conhecido as liberdades proporcionadas pelo software livre. Ensinei em laboratório de informática de escola publica de Fortaleza durante oito anos e, nesse período, só trabalhei com software livre, pois essa era opção da rede. Me tornei fã do software livre e também uma grande divulgadora dele. Atualmente, não trabalho mais em laboratório, mas não deixei de utilizá-lo, o tenho instalado e utilizo o pacote LibreOffice. Penso que é nossa função como professores, conhecedores do SL, utilizá-lo sempre, divulgá-lo e incentivar nossos pares e alunos a fazer o mesmo. Assim, estaremos contribuindo para libertar mais pessoa dessa “Bolhatrix” e construir uma sociedade melhor, mais conectada com a cultura contemporânea e mais justa para todos. Abraço! Jaiza

    • Oi, Jaiza,

      Que bom saber que as lindas iniciativas de adoção e promoção de Software Livre na educação pública de Fortaleza continuam tendo efeitos positivos sobre a sua vida!

      Essas políticas públicas pelo Software Livre continuam por aí, ou foram revertidas como tantas outras no Brasil?

      Muitas iniciativas em que antes podíamos contar com o poder público agora precisamos levar adiante por conta própria. O desafio aumenta.
      Mas não vamos desistir: que muitos mais sejam libertados!

  8. Oliva,
    Estou a ler seus comentários e pensando que, quando pela primeira vez assisti uma apresentação tua, acho que em 2009 no FISL, muito antes de te conhecer, eu nunca ia esperar vê-lo tratar a questão da saída da Matrix, algum dia, como algo mais complexo do que simplesmente escolher entre uma pílula ou outra: achei você radical demais. Mas muito simpatico, a ponto de me fazer pensar que os radicais também são importantes porque mantém a polêmica viva (e continuo pensando isso).

    Faço parte de alguns grupos de software livre, uns muito apocalípticos, outros muito integrados, outros nem tanto (como diria Eco) e concluí que todo radicalismo é, por si só, excludente.

    Algumas pessoas nascem com o ímpeto e até anseio por saltar de cabeça do penhasco sobre o mar lá embaixo, sem medo do deep and dark, mas a maioria precisa de algumas ou muitas aulas de mergulho antes.

    Por isso sua conclusão, muito verdadeira e totalmente compatível com o que fazemos no Texto Livre, foi marcante pra mim, Oliva:

    ” Nossas comunidades estão sempre abertas para refugiados da Bolhatrix, e oferecemos ajuda de muitas formas. Procure-nos nas redes de comunicação Livres, enquanto as máquinas ainda não encontraram forma de bloqueá-las. Estaremos lá para ajudá-lo a encontrar sua saída.”

    Isso nunca foi tão importante quanto nesse ano de 2017, marcado por incertezas. Muito obrigada por seu testemunho!

    • Que venham as aulas de natação e mergulho, pra ninguém mais se afogar em tentativas de travessias em botes de refugiados!

      Ser radical é ir à raiz, ao fundo do problema. Mas não é por isso que precisamos afundar, né? 🙂


      Radical Livre 🙂

  9. Neste caso o aluno aprende aquilo que lhe é ensinado a partir de
    um foco de transmissão, entrando em contato com o professor para retirar eventuais
    dúvidas. O modelo colaborativo segue o princípio de que a interação e o diálogo entre
    alunos e professores é o essencial para o processo educativo, ou seja, o aprendizado
    ocorre através da construção coletiva a partir do questionamento, problematização,
    discussão, apresentação de dúvidas e troca de informações.
    Os ambientes virtuais de aprendizagem agregam várias tecnologias Elas transformam suas
    maneiras de pensar, sentir, agir. Mudam também suas formas de se comunicar e de
    adquirir conhecimentos
    Um dos pontos fortes observado é a facilidade de uso por qualquer
    pessoa, mesmo aquelas que não possuem um bom conhecimento de informática. permite a adequação das necessidades das instituições e dos
    usuários, isto acontece por ser um ambiente eliminar completamente o uso de softwares não licenciados substituindo por opções livres,“Bolhatrix” estarmos conectados nos favorece muito

    • encantou-me o plano do OLPC, laptop.org, de conectar alunos do mundo para que resolvessem as questões tecnológicas do uso do computador, sua manutenção, sem precisar que o professor dominasse essas tecnologias. imagino que isso possa ter deixado alguns professores desconfortáveis, mas o bom professor sempre deve almejar que seus pupilos cheguem mais longe, não ficar incomodado que estão aprendendo coisas que ele mesmo não sabe.

      hackers são assim, amantes do conhecimento e do compartilhamento. pra formar hackers, o mais importante não é ter professores hackers, mas que os professores tenham suficiente consciência para não atrapalhar esse processo através de amarras de autoridade, inseguranças, etc.

      discuti um pouco disso na palestra “Salvem os Hackers! (ou salve-se quem puder)”, mas infelizmente não tenho gravação dela 🙁 só os slides e um artigo resuminho que escrevi sobre parte do tema abordado:
      http://www.fsfla.org/~lxoliva/fsfla/Hackers.pt.pdf
      http://www.fsfla.org/blogs/lxo/pub/hackers

  10. Os aplicativos nebulosos que aprisionam seus dados, e volte a manter seus dados nos seus próprios computadores. Se fizer questão de aplicativos de rede, ou armazenamento de dados em rede, crie e use sua própria nuvem, com Freedombox e Ownclowd ou Nextcloud. Aproveite para rodar nela seus próprios servidores das redes de comunicação Livres descentralizadas!

  11. vejo que muitos professores solicitam trabalhos em formatos privativos isso faz com que os alunos nao tenham mais estimulos pois nao tem regras

    • professor pedir pra alun@ usar formatos ou softwares privativos é falta de educação!

  12. É uma boa prática, digo isto, recordando do comércio de livros, jornais e revistas impressos; ainda vendem até partituras impressas; os cursos, as informações, o cotidiano exige ainda uma boa procura ou uma boa indicação de materiais livres na internet.
    Isto ainda esta sendo construído, aprimorado, mas é uma proposta visível em nosso cotidiano, é uma consideração ao “dialogo social” / “direito de propriedade”.
    gostei muito da apresentação.

    • Oi, José Adauto,

      Fiquei meio confuso sobre a qual prática você se refere. Deu até impressão de que seu post era pra outra sessão. Será?

    • Quis me referir a “Boas Praticas” em TI,
      na continuação pretendia referenciar a existências de “Marcas Proprietárias” do mundo comercial e da GNU como produto.
      parto do inicio onde todos querem defender a sua propriedade intelectual, ou fazer seu ponto de comercio revender mais produtos, bem como um ambiente virtual tentaria obter mais acessos.
      A qualidade do produto ainda compete com a agregação de ‘custos’, busca de resultados, estabilidade e outras questões.

  13. Sensacional artigo! Infelizmente as pessoas próximas a mim não tem essa visão diante dos softwares, parece que tanto faz. Até mesmo no ambiente educacional vejo a resistência ao software livre. Pra mim vai muito além de software, é estilo de vida.

  14. Muito Bom! Nos reacende a esperança em modernizar as práticas, e otimizar o tempo. Obrigado!

  15. A sociedade sempre e em qualquer lugar tem esses movimentos de versão (a oficial), contraversão (a que não se adequa nem propõe outra, mas faz “por fora”) e inversão (a que propõe outra ordem, que critica e desmistifica a versão e busca algo melhor pra pôr no lugar).
    Nenhuma é boa ou má por princípio, até porque isso sempre vai depender do olho que as vẽ.
    Neste UEADSL vimos, em comentários de praticamente todos os trabalhos, denúncias de contraversão, sobre a falta de abertura para o novo, de estagnação, de submissão. Não é um fato isolado e nem novo: essa percepção aparece desde que se discuta a educação como opção para mudança. Ao mesmo tempo, os trabalhos publicados no evento foram exemplos de inversão, com propostas claras, inovadoras e críticas. O texto com que o Oliva nos brindou fala de um caminho válido, real, mas que pouquíssimos conhecem e menos de nós ainda conseguem seguir integralmente: optar por ser livre, optar pela colaboratividade mais cooperação mais compartilhamento mais meritocracia, optar pela cidadania de fato e de direito. Nesse caminho conheci muita, mas muita gente mesmo, milhares de pessoas dedicadas a essa luta, à capacitação de outras pessoas para poderem optar por esse caminho. O Texto Livre nasceu no meio dessas pessoas e é uma dentre muitas opções de integração ao meio. Ninguém precisa trilhar sozinho a transição para a liberdade. Como o Oliva, confirmo: venha, queremos ajudar!

  16. A reflexão proposta no Bolhatrix nos leva a pensar em como nos inserimos num processo de servidão digital com vícios e dependências estabelecidas ao utilizarmos os softwares privativos com versões estruturadas inclusive para equipamentos de telecomunicação, um pacote capitalista apriosonante, quando não há consciência dos mecanismos de manutenção desta servidão digital e alienação dos usuários ao disponibilizarem todas as informações de sua existência material e espiritual nas redes, nas nuvens espionadas por vigilantes vorazes e determinados a manter o feudo das ilusões com todos os seus mecanismos alienadores e expropriadores das identidades e dos direitos em seus profundos aspectos jurídicos, filosóficos e existenciais.

    Parabéns ao grande pensador e combatente.
    um grande abraço.

  17. Muito bom o texto, bem fundamentado e explicado. Concordo com o conteúdo e com as idéias explanadas nele. Sou da área de TI e sou militar no Exército Brasileiro, utilizamos muito SL, desde o primeiro plano de Migração para SL, não foi fácil, e continuará não sendo, pois as pessoas se incomodam o novo. Mas estamos na luta.

    http://www.softwarelivre.gov.br/noticias/exercito-publica-a-3a-versao-do-plano-de-migracao-para-software-livre

    Tenho tentado consquistar as pessoas pelo uso de SL em casa, e com os amigos próximos, mas sabemos que precisamos de curiosidade e mente aberta para usar. Tenho a sorte do meu estado, Rio Grande do Sul, ter muitas iniciativas nessa área, inclusive iniciando um movimento (MSL e FISL) e auxiliando os demais estados a lutarem por essa expansão do SL desde 2009, além de dar exemplo através do uso nos departamentos públicos e amparando esse uso através da legislação vigente desde 2006, com vários percalços no caminho, em virtude de querer tornar essa lei inconstitucional.
    Outras cidades e estados também foram pioneiros nessa área, como Campinas-SP e Recife-PR.
    http://softwarelivre.org/portal/noticias/conheca-a-historia-da-primeira-lei-que-obriga-um-estado-a-preferir-softwares-livres-no-brasil

    http://www.brasil.gov.br/ciencia-e-tecnologia/2010/08/licenca-publica-geral-valida-uso-do-software-livre

  18. Muito bom o artigo!
    Trabalhei no laboratório de informática e usava o Linux Educacional, na maioria das vezes precisava explicar ou mostrar os programas para os professores antes de usar, pois a maioria não conhece ou conhece pouco.

  19. Na verdade não conhecia sobre este Bolhatrix m as vejo como somos vitimas o sistema agora estou informada tive de ler o texto duas vezes para entender pois sou devagar mas amei mais uma informação importante adquirida quer agora ter mais atenção e fazer o melhor para mim em questão ao meu PC. Tenho agora obrigação de repassar e utilizar o software livre pois eu o aprovo é uma nova forma mas muito eficaz.