Universidade Pública como espaço para cultura livre

A Cultura Livre, enquanto prática democrática de produção de conhecimento, possui nas instituições públicas de ensino um terreno propício para seu desenvolvimento. A Universidade Pública tem papel chave na sua disseminação, apesar das pressões do mercado que se instalam com a presença cada vez maior da iniciativa privada nos financiamentos das pesquisas o que acaba restringindo a circulação do conhecimento produzido.
Autores: Rafael Santiago Valadares
Matheus de Abreu Arruda

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Este artigo recebeu Menção Honrosa pela Comissão Científica do UEADSL2017.1

28 thoughts on “Universidade Pública como espaço para cultura livre

  1. Primoroso trabalho, aborda um tema bem atual e indica tanto as tensões envolvidas quanto soluções possíveis. Parabéns! Pergunta pra provocar: vocês acham que as editoras de livros acadêmicos vão falir se os professores de universidades públicas passarem a publicar em Creative Commons?

    • Caro colega,
      Em primeiro lugar, obrigado pelo comentário. Bom, sobre a questão proposta, nosso artigo não abordou de maneira aprofundada como funciona o Creative Commons, mas indico a leitura do artigo da professora Ana Cristina Fricke Matte, “Liberdade em duas palavras: Creative Commons”, que se encontra em nossa bibliografia. Neste artigo Matte discute a questão apontada e mostra que o próprio autor da obra tem o direito de escolher entre fazer ou não uso comercial de seu trabalho. Dessa forma, imagino que as editoras acadêmicas não sofreriam com a adoção dessa licença, pois os livros publicados por elas podem ser utilizados comercialmente.

      • Obrigado pelo comentário!
        Acredito que o CC valoriza antes quem cria o conhecimento, pessoalmente acho mais justo, mas mesmo pensando no mercado editorial, uma grande parte da produção cientifica não desperta esse tipo de interesse.
        E para aquelas obras com potencial comercial para as editoras o Matheus lembrou bem, elas ainda podem ser publicadas, basta que usem uma licença que permita uso comercial.

  2. Prezados Rafael Santiago e Matheus de Abreu,

    Adorei o artigo de vocês, por abordar de forma clara o objetiva, a presença da cultura livre na Universidade.
    A Universidade é palco de compartilhamento e disseminação de conhecimento. O avanço do Mercado sobre as IES vem se tornando um agente limitador, mesmo sabendo que seu objetivo principal é o “compartilhamento e disseminação” de conhecimento.
    Outro que me chamou a atenção e acaba colaborando para o entendimento do prejuízo causado pelo avanço do “Mercado” nas IES é a necessidade deste utilizar integralmente e corretamente os conceitos da cultura livre.
    No mais despeço-me agradecendo-os por compartilhar com a comunidade acadêmica esse excelente trabalho/reflexão.

  3. Parabéns pelo trabalho, muito pertinente a abordagem “Mercado e a Cultura Livre na Universidade Pública”, em minha opinião eu acredito sim que a Universidade Pública deveria ter a missão de disseminar o pensamento livre e a cultura livre. Fica uma reflexão sobre as restrições que o mercado está impondo no papel social e do compartilhamento do conhecimento.
    Excelente.

    • Obrigado Alex.
      Sim o papel de agente social da Universidade Publica tem que ser preservado e é possível pensar uma relação melhor com os agentes financeiros.

  4. Rafael e Matheus,
    Tem várias formas de abordar a questão da propriedade do conhecimento produzido nas universidades públicas. O investimento de empresas é importante, mas não pode ser uma amarra ou, como vejo, um roubo ao transformar o público em privado. Isso não é só culpa dos empresários, mas também dos pesquisadores que assinam tais acordos, uns por ingenuidade, outros, porque não dizer, por ganância.
    Eu já desisti de vários editais abertos por empresas pois a leitura do edital mostrava que eles, depois da ajuda, ficariam donos não só do produto, mas do direito de imagem de todos os membros do grupo e até da geração seguinte, um horror. Se eu tivesse lido só o começo, não teria jamais desconfiado. E se não trabalhasse com software livre e não me preocupasse com nossos direitos sobre nós mesmos, provavelmente nem ligaria para os termos.
    Depois provavelmente me arrependeria, como vi acontecer na faculdade, que fez há uns anos um acordo com o Santander cujo nome foi dado a um espaço porque eles doaram os computadores. Computadores agora velhos, nenhuma ajuda do banco sequer para manutenção, mas o nome deles continua lá, eterno. contrato bom esse, não?
    Estou escrevendo um pedido de verba agora pra outra empresa e já perdi a conta de quantas vezes disse que os softwares serão licenciados com licença livre, para que fique bem claro 😉
    Parabéns pelo ótimo trabalho!
    Ana

    • Cara Ana,
      Concordo plenamente, esse é um assunto bastante complexo. O investimento privado é importante, mas, como você disse, não deve ser uma amarra e nem fazer do pesquisador um refém de suas práticas (como no caso da pesquisadora canadense citada no artigo). Acredito que o problema da ganância dos pesquisadores é um sintoma de um problema ainda maior, que é a valorização desse profissional pela sociedade (quem nunca deixou de se dedicar a uma pesquisa por não receber o suficiente para, ao menos, sobreviver ?)
      Sobre os contratos, é absurdo o que nós temos que fazer para publicar atualmente. Já ouvi falar de editoras que exigem, além do nosso trabalho, um certo “investimento” para publicar sua obra. É inacreditável.
      Engraçado você citar o espaço Santander, neste momento estou sentado na sala onde ficavam os computadores, na biblioteca da Letras. Os computadores já não estão mais aqui, mas quando estavam a maior parte deles não funcionava e sala estava em péssimas condições.
      Enfim, nós precisamos repensar essa relação entre a universidade e as empresas, esse é o primeiro passo para que possamos almejar alguma melhoria futura.
      Obrigado pelo comentário!
      Matheus

  5. Boa tarde Rafael e Matheus, excelente o tema do trabalho de vocês,parabéns. Acredito sim que a Universidade Pública tem como missão a disseminação de propagar a cultura livre. Quanto as empresas, financiamentos para circulação de conhecimento produzido, penso que por meio das TICs alguma solução poderíamos ter em relação ao assunto… Abraço

    • Obrigado Cintia!
      O próprio fato da tecnologia da informação se repensar e agregar o C de comunicação ao clássico TI já faz parte de uma reflexão sobre como o conhecimento é distribuído. Esse debate acontece em vários palcos e bons profissionais da área atuando não apenas de forma técnica, mas também pensando a gestão da informação e da comunicação dentro da Universidade Publica poderiam evitar, por exemplo, o péssimo contrato com o Santander que a Prof. Ana Cristina citou em comentário.

    • Concordo Cintia, até mesmo a inclusão do C de comunicação à sigla clássica TI já indica o setor se repensando e refletindo sobre como a informação circula. Uma boa gestão das TIC’s poderia evitar ou ao menos amenizar o péssimo contrato com o Santander que a Prof. Ana Cristina citou em um comentário anterior.
      Obrigado!

  6. Ótima abordagem sobre ‘Universidade Pública como espaço para cultura livre’, tema pertinente para se debater na universidade.
    Parabéns!

  7. Ótima abordagem sobre o assunto ‘Universidade Pública como espaço para cultura livre ‘, tema pertinente para se debater na universidade.
    Parabéns!

  8. Ao final do ano passado os órgãos integrantes do SISP – Sistema de Administração dos Recursos de Tecnologia da Informação, inclui-se aí as Universidades, tiveram oportunidade de manifestar interesse na aquisição de produtos Microsoft. Trata-se de um registro de preços centralizado com a finalidade de economia para os cofres públicos. Os órgãos deveriam demonstrar interesse.

    O que me causa desconforto é que eu não vejo esta “boa vontade” com softwares livres. Em muitos casos as pessoas sequer conhecem. Se torna mais difícil desenvolver soluções livres GPL dentro da universidade se muitas vezes não se tem nem ao menos o incentivo ao uso.

    • Exato Carlos,
      Mais um exemplo de iniciativas que podem contribuir com a melhor distribuição do conhecimento ficam de lado nas instituições publicas. O software Livre e sua possibilidades de troca de conhecimentos deveria mesmo ser mais privilegiado.

  9. Boa tarde, caros autores!
    Trabalho muito interessante. Parabenizo-os pelo trabalho exposto.
    Esta é uma importante temática a ser tratada, assim como inclusão de coautores que deram pouca contribuição ao desenvolvimento de uma dada pesquisa, apenas por conveniência, ou seja, sem mérito algum. O fato de apenas ter conseguido financiamento, mas que nem mesmo redigiu se quer um parágrafo, discutiu sobre o trabalho (desde o referencial teórico, material e métodos, resultados e discussão e conclusão). E é muito grave a situação “escrava” a qual vivem as instituições públicas de ensino e pesquisa, que de certo modo, acabam gerando conhecimento inútil ou privado/restrito, bem distante da tão sonhada popularização do ensino.

    • Obrigado Alessandra,
      São várias as questões envolvendo o papel social da Universidade Pública, a valorização do pesquisador de fato é um deles.

  10. Parabéns, Rafael e Matheus pela grandeza da temática e da abordagem do artigo. Concordo plenamente que a Universidade pública é um espaço propício para divulgação e prática da cultura livre, abrindo as portas de acesso a informação, ao conhecimento e as tecnologias da informação e comunicação para todas as pessoas sem distinção de cor, raça, credo ou classe social. O conhecimento como bem cultural da humanidade deve estar acessível a todos. Penso que a iniciativa privada deve se sustentar e crescer com seus próprios recursos. Não é justo abrirmos as portas da universidade pública para a iniciativa privada, para que esta exerça o controle daquela. Se quer colaborar, ótimo! Que seja bem-vindo! Contudo, que não queira impedir ou barrar iniciativas de cultura livre de democratização da informação e do conhecimento no espaço público. Abraço!

    • Sim Jaiza, acreditamos que são possíveis diversas formas de interação entre a universidade publica e os grupos privados, mas a função publica e a democratização do conhecimento devem ser preservados.

      Obrigado pelo comentário.

  11. Olá Rafael e Matheus!

    Parabéns pelo artigo!

    Em tempos de mercantilização do conhecimento, possibilidades como a licença creative commons, Recursos Educacionais Abertos, software livres e gratuitos e MOOCs são algumas das opções para além do capital e para que possamos romper com essa lógica e fazer que a Universidade Pública cumpra seu papel social.

    Se interessar, também estou na programação com o artigo “Entre Haters e Trolls: O discurso do ódio e banalidade do mal – Discursos sobre adolescentes infames no Facebook”.

    http://ueadsl.textolivre.pro.br/blog/?p=8269

    Abraço!

    Leles Gomes

    • Obrigado Leles Gomes,
      Concordo, e falando em lógica e redes sociais, o raciocínio da web 2.0, redes e o compartilhamento podem ser levados mais a serio para a divulgação cientifica e democratização do conhecimento.

  12. O trabalho apresenta uma temática bastante interessante quando discute a relação mercado, cultura livre e universidades públicas. Mas tem-se que ter cuidado em afirmar isso em razão de tratarmos do espaço das universidades públicas, talvez a relação ocorra de forma mais clara no âmbito privado. Mesmo assim, parabéns pela iniciativa e escolha da temática, acredito que as conclusões apresentadas como a citação de “Utopia do Capital” carecem maior relação com o seu referencial teórico. Lendo o trabalho penso que poderiam trazer na discussão ideias como as Marx, com maiores discussões Estado e Sociedade. Parabéns pela iniciativa.

    • Simone,
      Sabemos que há controvérsias quanto ao alcance da interferência do Mercado nas instituições públicas de ensino, principalmente quanto a agenda. Nosso raciocínio vai pela linha de que uma sociedade de mercado impõe certa subordinação social e isso alcança a Universidade Pública uma vez que o conhecimento é hoje uma mercadoria, e essa instituição que é pública deve ter seu papel social preservado ao máximo. A crítica é pertinente e além de Marx pretendo aprofundar estudos em outro Karl, o Polanyi. Obrigado pelo comentário.

  13. O financiamento das pesquisas é algo a ser melhor estudado. Isso define objetivos e convergem os esforços para o tipo X ou Y de pesquisa, em geral, hierarquizadas. A Universidade precisa criar meios de se autonomizar, no que tange as pesquisas que desenvolve. Sem que tenha de se submeter totalmente ao capital externo (privado, e cheio de outros interesses).

  14. Olá, que trabalho bacana!! Um dos melhores que li até agora. Concordo com o que você expôs no seu trabalho, a Universidade é uma instituição pública e todas as produções, sejam elas de caráter cultural ou científico, devem estar disponíveis ao acesso público, amplo e democrático. A instituição que se carateriza como pública não deveria permitir que o setor privado tivesse controle sobre o que é produzido dentro dela. De fato uma abordagem diferente sobre o que é produzido e compartilhado dentro das universidades é mais do que urgente. Ótimo trabalho, parabéns.
    Bárbara

  15. Artigo muito que traz uma discussão muito importante. O acesso ao que é produzido nas universidades deveria ser mais amplo e não ficar restrito a poucos.
    Parabéns pelo artigo!