Conferência: A universidade: conceito e possibilidades (vídeo)

Vídeo da Conferência do Professor Jacyntho Lins Brandão sobre o tema Universidade.

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33 thoughts on “Conferência: A universidade: conceito e possibilidades (vídeo)

  1. Olá, professor,

    obrigada pela palestra! Aprendi muito assistindo a ela.

    Tenho uma questão para o senhor: senhor acredita que seria possível, e indicado, haver matérias comuns ao currículo de todos os cursos? Se sim, que tipo de disciplinas o senhor listaria como fundamentais para uma formação básica dos estudantes?

    Os alunos das engenharias têm cursar alguns disciplinas em cursos de Humanas, mas nós, das Humanas, muitas vezes perdemos por completo o contato com a matemática, com a biologia e com outras áreas de saberes. O que o senhor pensa sobre isso?

    Abraços e obrigada,

    Desireé

  2. Pois é, Desirée. Isso acontece mesmo, pois a tendência dos cursos superiores é concentrar-se numa área de formação profissional, a formação geral ficando em segundo plano. Para pensar o que constitui essa formação geral poderíamos começar pelas linguagens, pois são elas que dão acesso ao conhecimento: de um lado, as línguas naturais (a nossa e as dos outros, as estrangeiras, mas também as não orais, como as de sinais – libras); de outro, a lógica, isto é, a matemática etc.; e a computacional. Só por isso, você veja que é muita coisa. São, porém, coisas necessárias: alguém de Humanas, por exemplo, muitas vezes tem de trabalhar com estatística e, por falta de formação, faz isso de modo amadorístico.
    Então vem o segundo ponto: não dá para obrigar o aluno a fazer tudo que devia – em termos de conhecimentos e conteúdos. Por isso a ideia da flexibilização é tão interessante. Não obrigar o aluno a fazer essa ou aquela disciplina, mas “obrigar” (seria melhor se se pudesse “incentivar”) o aluno a não ficar preso só às disciplinas de seu curso. Um aluno de Belas Artes que pretenda trabalhar com restauração precisa de Química, bem como um aluno de Letras interessado em linguagem e cognição precisa de Biologia e das especialidades da área de Saúde.

  3. Concordo com o professor Jacinto,não devemos obrigar o aluno a cursar determinada disciplina,mas é muito interessante que o aluno seja orientado a cursar disciplinas que serão importantes para todas as áreas como estatística, metodologia científica, línguas estrangeiras e redação ou oficinas de textos,assim como a gramática da nossa língua.

  4. Dilma, estou de acordo. Essa orientação para o aluno deve estar prevista em termos gerais – e isso diz respeito à flexibilização curricular -, a orientação de cada caso cabendo aos colegiados de curso. Não é tão complicado. Só uma questão de assimilar uma cultura nova, os parâmetros sendo dados pela universidade. Aliás, as normas gerais de graduação na UFMG já fazem isso.

  5. Ótima palestra! Me lembrei do Drummond. “Itabira é apenas uma fotografia na parede, mas como dói.” Mesmo com as alterações inevitáveis no sentido original de “universidade” creio que esse ainda é o espaço da pluralidade, da troca, da inventividade, onde a mente pode se expandir, é o lugar onde se concentra a maior quantidade de portas e janelas, literal e metaforicamente, para entradas e saídas, para buscas e encontros. Apesar das investidas do pensamento neoliberal em todas as esferas da nossa vida, é praticamente impossível subjugar com absoluto sucesso uma sociedade que valorize a vida universitária; sempre haverá um não grande e redondo para o engessamento. Gostaria apenas que a inquietação que o senhor diz que a universidade provoca na sociedade fosse mais efetiva. Na maioria das vezes a impressão que se tem é a de que a comunidade acadêmica vive numa bolha difícil de ser rompida.

    • Isso é verdade, Raquel. Havia um professor aqui da UFMG que dizia que a universidade é uma verdadeira cachaça. Ainda mais quando se tem a estrutura de de campus, ao que se vem e se passa o dia. É um cuidado que temos de ter ao pensarmos os projetos para a universidade – e não só na extensão. De qualquer modo, acho que o mais importante é conseguirmos transmitir essa inquietação para os nossos alunos, pois são os estudantes que servem de ponte entre a universidade e a sociedade. A principal contribuição da universidade à sociedade – e a mais regular e permanente – está na formação dos estudantes.

  6. Caro professor, muito obrigada pela reflexão. Sou docente há pouco tempo e tenho muitas dúvidas quanto à relação entre obrigatoriedade dos conteúdos, orientação particular dos alunos (rumo a um currículo mais flexível) e a capacidade de decisão dos mesmos, visto que muitos iniciam suas graduações com dificuldade em escolher caminhos, até mesmo por conhecer pouco as várias possibilidades do curso. Eu mesma, ao avaliar minha experiência da graduação, fico satisfeita por alguns assuntos terem sido obrigatórios, visto que eu não teria escolhido cursar os mesmos e hoje os considero conteúdos importantes. Por outro lado, se o currículo é flexível, o aluno ganha automaticamente a responsabilidade pelos temas que irá cursar (com as devidas orientações) e tem de refletir sobre isso, o que talvez seja bem positivo.
    Uma outra reflexão interessante é sobre a relação entre alguns currículos e o ócio. Os alunos ficam envolvidos em tantas atividades e com tantas obrigações que muitas vezes não sobra o tempo para refletir sobre o desenvolvimento de sua graduação. Mas como compatibilizar carga horária e conteúdos mínimos exigidos pelo MEC com esse espaço para reflexão?
    Obrigada por compartilhar esse conhecimento.

    • Carolina, é claro que há conteúdos que são estruturantes para cada percurso formativo. Esses devem ser obrigatórios sim. Mas o que se deve combater é a tendência em pensar que tudo deve ser obrigatório, sufocando o estudante. Quanto às exigências externas, que procedem não propriamente do MEC, mas do Conselho Nacional de Educação, acho que são indevidas e afrontam sim a autonomia universitária. É uma pena que, após a nova LDBEN ter extinguido os antigos currículos mínimos, reconhecendo a autonomia das universidades para organizar seus cursos, o CNE tenha começado a engessar de novo os currículos, cometendo, como seria de esperar, erros – pois não há como não errar quando se legisla de cima para baixo, sem considerar a diversidade de situações e de propostas de formação. O caso das licenciaturas é o mais lamentável, com tanta interferência externa.

  7. Boa tarde, prof. Jacyntho!
    Sou aluna da FALE no Mestrado Profissional e simplesmente amo essa Universidade!
    Obrigada pela palestra e por compartilhar tantas informações, e principalmente seus conhecimentos. Parabéns pelo bom humor e enorme sabedoria.
    YOU ROCK!!!
    abraços.
    Cris. 🙂

  8. Muitas aprendizagens com essa palestra. Apesar do tema ser a universidade, são reflexões para se aplicar em todos os níveis de ensino. A autonomia das escolas e professores deve ser garantida. Concordo plenamente quando o professor Jacyntho fala que o partido de uma escola é o conhecimento. Este deve ser o cerne do trabalho docente sempre com vistas ao letramento crítico.

    • No saguão da Reitoria há uma frase do Prof. Aluísio Pimenta, de quando ele foi Reitor da UFMG, que resume bem isso: condição primeira para o conhecimento é a liberdade. E, afinal, para que serve conhecimento que não implica em libertação?

    • Eu acredito que isso depende de radicalizarmos a democratização da universidade em todos os seus aspectos. A primeira radicalização (em que o Brasil anda ainda a passos lentíssimos) é a democratização do acesso. Porque a universidade pode ir ao encontro dos saberes de que ela tradicionalmente não se ocupa – e faz isso em alguma medida -, mas o que faz realmente diferença é o percurso contrário: que esses saberes se instalem na universidade. A UFMG tem experiências muito boas de interação com conhecimentos tradicionais de diversas comunidades. Algo que impactou a UFMG de modo muito positivo, por exemplo, foram os cursos de formação de professores indígenas, porque eles fizeram com que esses alunos passassem um mês a cada semestre na universidade, frequentando diariamente o campus. O ensino à distância também pode ter um papel importante nesse sentido, desde que seja pensado como uma via de mão dupla. São os estudantes que fazem a universidade. Portanto, se o acesso não fica restrito a uma parcela só da sociedade, o diálogo a que você se refere floresce.

  9. Olá, professor Jacyntho, obrigada por partilhar informações tão interessantes acerca da criação da universidade, não sabia nada a respeito. Realmente, a universidade é um ambiente propício ao conhecimento e sua importância para a sociedade é indiscutível. Gostei da sua colocação de que “a virtude máxima do estudante é a curiosidade”, concordo plenamente. Na universidade, isso é mais estimulado. Sou aluna do Profletras da UFMG e professora da educação básica em redes municipais de ensino. Em muitos momentos, sinto falta desta curiosidade em meus alunos…
    Parabéns pela excelente palestra! Abraços.

  10. Parabéns professor.
    Obrigada pelos esclarecimentos, ainda não tinha ouvido sobre o surgimento da Universidade bem interessante a formação dela para o cidadão. O senhor falar com propriedade e prende atenção e cada vez que repassa uma informação eu aqui me faço vários questionamentos um deles o porque quando adentramos na Universidade não é abordado essas temáticas no modo acolhimento para poder entendermos?
    O senhor fala em uma parte da conferencia que devemos ser curiosos e como já sou por natureza fiz uma disciplina chamada Políticas Educacional Brasileira, em uma aula o professor falou que a Educação Superior não é obrigatória ser ofertado eu o questionei bastante porque é algo curioso. Na lei brasileira está como ensino obrigatório somente o fundamental, só que na graduação é que vamos ter discernimento claro das coisas… Esclareça um pouco, por favor.
    Obrigada, abraço. ; )

    • É isso mesmo, Lucília. A obrigatoriedade é do ensino fundamental. Quando da discussão da nova LDBEN, nos anos 1990, a proposta inicial era que se estendesse a obrigatoriedade também ao ensino médio, mas depois isso não foi incluído na lei. O que nós temos de pensar é que a educação obrigatória é aquela que forma o cidadão, sendo então por ela que todo cidadão obrigatoriamente deve passar (se o pai não matricula seu filho na escola, pode ser processado, pois está descumprindo a lei e sua obrigação como cidadão). Então, acho que tornar o ensino médio obrigatório também seria uma boa medida. Já o ensino superior deve ser uma opção, no meu modo de entender. Um direito sim, para quem quer, mas não uma obrigação para quem não quer. Há formações que podem ser concluídas no nível médio com toda qualidade, como acontece nos países desenvolvidos, em que esse nível é muito forte e as profissões de nível médio muito valorizadas. Mas pensar que ele venha a ser obrigatório não se justifica por isso, mas pela formação completa que ele tem como objetivo dar ao aluno, isto é, por visar essa formação do cidadão que é a base da ideia da educação nas sociedades democráticas.

  11. Excelente exposição, como sempre são as falas do professor Jacyntho… Minha inquietação sobre os temas debatidos é que, na minha opinião, os coordenadores de colegiados poderiam ser mais atuantes na orientação aos alunos da graduação quanto a flexibilidade do currículo e as múltiplas possibilidades que a UFMG oferece de uma formação muito rica. Vejo muitos saindo da Universidade com “pressa de formar” e acabam não usufruindo de uma educação plena que envolva pesquisa e extensão ou, por exemplo, acesso a disciplinas que poderiam ampliar sua formação profissional. Considero que a universidade precisa amadurecer a forma de implantar suas diretrizes com eficácia para a boa intenção não ficar apenas no discurso.

  12. Parabéns Prof. Jacyntho!

    Como sempre, uma fonte de inspiração para todos nós.

    Grande abraço, wagner.

  13. Excelente palestra professor!
    Acredito que a Universidade poderia voltar a ter sua perspectiva inicial de dar mais espaço aos estudantes para que seu funcionamento seja mantido. Muitos tem ideias fantásticas mas nem sempre são ouvidas. Já existem algumas iniciativas de dar voz aos alunos e algumas portas são abertas (como esse evento maravilhoso) no entanto, percebo que muito pode ser feito.
    Claro que os educandos devem respeitar determinadas diretrizes e a ordem não deve deixar de ser o eixo norteador para um bom andamento mas acredito que ela pode caminhar de forma mais proveitosa se os estudantes tiverem mais autonomia.
    Penso que essa é uma das novas possibilidades para que a inquietação dos jovens produzam novos conhecimentos ainda mais inovadores.

  14. Parabéns pela Palestra Professor!

    Acredito que o estímulo à criatividade e ao processo investigativo; ambos ligados ao processo de ensino aprendizagem, são características fortes da Universidade, e que devem ser preservadas. Isso só é possível com a Autonomia Universitária; onde cursos superiores não são concentrados exclusivamente no mercado de trabalho, e onde existe incentivo à pesquisa e cultura.
    Por isso, acredito que para defender a Universidade como um espaço de: aprendizado, cultura, pesquisa, diversidade, de estímulo à criatividade, de estímulo ao processo investigativo, etc; devemos sempre defender a Autonomia Universitária.

  15. Ótima exposição do professor.

    Também concordo com a flexibilização curricular, que concede autonomia a quem de fato é o “alvo” da universidade: o estudante. Além disso, também temo que com a escola sem partido a educação básica perca a sua autonomia e prejudique o seu papel em formar jovens cidadãos.