Anacronia: Walter Benjamin e a Cultura Livre

RESUMO: Este trabalho propõe uma aproximação entre as considerações feitas por
Walter Benjamin, no célebre A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica (BENJAMIN, 2004), e o conceito contemporâneo de Cultura Livre. Tal aproximação, em princípio anacrônica, encontrará pertinência na medida em que deslocarmos as proposições teóricas do filósofo alemão para objetos de arte de nossos dias, criados e difundidos na chamada Sociedade da Informação.
Palavras-chave: Cultura livre. Sociedade da Informação. Reprodutibilidade técnica.

Autores: Simone Garofalo, Gleidston Alis Mendes de Campos

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15 thoughts on “Anacronia: Walter Benjamin e a Cultura Livre

  1. Walter Benjamin sempre foi meu ídolo, em especial este livro que vocês usam como base. A perspicácia e crítica deste filósofo, tão jovem quando escreveu essa obra, faz dela um texto super atual, décadas após sua publicação. Saiu de moda falar em Indústria Cultural, mas quem mais, senão ela – e os governos que a defendem -, está por trás de tantas leis restritivas sobre nossa liberdade de utilização e compartilhamento de bens culturais, em especial e polemicamente, na internet? Gostaria de ouvir um pouco vocês falando disso na perspectiva desse excelente trabalho!
    abraços,
    Ana Matte

    • Olá Ana!

      A ideia de “fora de moda” está mesmo prevista na palavra “Anacronia” utilizada no título. Não apenas o fato de utilizar um texto anterior ao objeto que nos propomos a analisar por meio dele, mas também uma espécie de provocação à “obsolescência programada” do nosso modelo acadêmico, no qual textos e autores competem por instâncias de poder e prevalência, nem sempre baseados apenas na validade de uma proposição ou pensamento. A ideia é embaralhar mesmo a suposta “ordem” das pertinências, de algum modo revitalizando (quanta pretensão, meu Deus!! mas não consigo pensar em outra palavra agora…) o pensamento benjaminiano, não apenas como um olhar para a sua época (dele), mas para a nossa. Os grandes nunca são anacrônicos. Cabe a nós estabelecer as novas relações possíveis. E sobre a Indústria Cultural… talvez ela esteja mesmo fora de moda (de acordo com os padrões já mencionados), mas continua dentro da moda, da música, da literatura, do teatro, do…

      Abs,
      Gleidston

    • Pois é, Ana! Saiu de moda falar em “Indústria Cultural”, mas ela continua firme, tentando controlar cada vez mais os bens culturais para não sucumbir à lógica contemporânea. Infelizmente, a maior parte da população ainda não tem acesso aos bens culturais de forma livre e não conhece grande parte da nossa história cultural. É bom saber que a Internet veio para abalar essa estrutura.

  2. Muito bom o artigo de vocês! Que delícia relembrar Walter Benjamin com um tema atual e de fácil entendimento. Parabéns!

  3. Muito bom o artigo de vocês! Uma delícia relembrar as ideias de Walter Benjamin com um assunto atual e de forma tão acessível… Parabéns!

  4. Achei muito instigante a aproximação que fizeram entre as ideias de Benjamin (a questão da aura e da reprodutibilidade técnica, especificamente) e a Cultura Livre.
    Parabéns por não “acumularem a dúvida em uma prateleira de protelação”.

    Destaco a seguinte parte e a problematização do conceito de “fonte”:

    “Superada a “aura” da obra de arte, no princípio do século XX, restava ainda o que
    chamaremos de “fonte”. Se o cinema serve como marco para a quebra dos rituais de
    adoração e contemplação da obra de arte, para a inserção da obra no ambiente
    doméstico e para tornar a sua manifestação esparsa e simultânea, caberia à Internet
    colocar em cheque a “fonte”, em torno da qual a “aura” da obra de arte se agarra
    como último esforço contra sua própria extinção”.

    • Obrigado Débora.

      O trecho destacado é justamente uma das partes mais “autorais”, digamos assim, em que não há apenas a associação de conhecimentos, mas a criação de uma análise a partir de um mote teórico. É um dos fios que puxaremos em breve pra desenvolver um trabalho maior sobre o assunto.

      Um abraço,
      Gleidston

  5. Parabéns pelo artigo! Até então eu não conhecia esse texto do Walter Benjamin. Obrigada por me apresentá-lo. É muito bom saber do potencial que a internet tem para abrir portas e ao mesmo tempo muito ruim saber que tem gente querendo controlar isso.

    Um abraço,
    Thalita

  6. É complexo pensar em fontes.
    Em situações em que a reflexão pressupõe o olhar sobre o outro, o pensamento polêmico que se constrói com discussões e diálogos são travados com outros autores. Até que ponto as minhas ideias são realmente MINHAS, já que foram construídas com o apoio de outros.

    Como vocês enxergam essa possibilidade de compreensão de autoria coletiva?

    Espero que tenha feito sentido. Hahahah!

    Abç!

    • Bom… esse é o princípio básico do dialogismo bakhtiniano.

      Mas é preciso separar algumas coisas: Filosoficamente, em princípio, toda construção sobre a linguagem (entendendo linguagem no sentido mais amplo possível) é realmente coletiva. Não podemos desprezar, no entanto, o trabalho de quem “organiza” conceitos, ideias, sons, palavras, etecéteras… a ideia de “autor” precisa mesmo ser relativizada para repensarmos o “endeusamento” de alguns “autores” e, principalmente, as implicações econômicas na distribuição de obras artísticas.

      Acho que em questões complexas como essa, o melhor mesmo é confundir e não explicar!! Lançar problemas, tornar tudo mais difícil de solucionar.

      Será que isso é uma resposta pro que você não sabe se é uma pergunta???

      Abs,
      Gleidston

  7. Parabéns, o texto de vocês é realmente interessantíssimo. A questão da fonte e da originalidade dos bens culturais e o impacto do uso da internet sobre as estruturas tradicionais da indústria cultural me fizeram pensar na produção científico-acadêmica e no impacto que a internet também tem gerado nesse campo específico. Os argumentos colocados em favor da procura de uma nova forma de tratar a questão da reprodutibilidade, do direito do autor, da fonte também se aplicam às produções acadêmicas, pois existem (principalmente na EaD, por causa do largo emprego da internet) conflitos relacionados à fonte e à direito autoral. Acredito que uma “nova ordem” deva surgir a partir das novas relações estabelecidas nesse meio, impulsionadas pelo ensino mediado pelas novas tecnologias.
    Abraço.

    • Obrigado pelo comentário Cristina.

      No meio acadêmico, em minha opinião, a abertura deve ser ainda maior, o que não impede o reconhecimento do autor por citação. Como produzimos, a priori, conhecimento, devemos dá-lo a conhecer, ué!!

      Abs,
      Gleidston