Liberdade de acesso, política e interação: experiências de leitura e navegação no Portal da Transparência do Governo Federal

Apresentamos uma síntese de uma pesquisa mais ampla sobre experiências de sujeitos com a leitura e navegação no Portal da Transparência do Governo Federal. Atentamos para uma lei complementar à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) que determina a liberação de informações sobre a execução orçamentária para acompanhamento da sociedade a partir de meios eletrônicos de acesso público. Procuramos demonstrar, através de alguns exemplos de nossos dados, como o modo de apresentação do conteúdo do Portal da Transparência interfere na leitura e navegação de um grupo de cidadãos brasileiros, público-alvo do portal. Buscamos discutir sobre aspectos da interação entre os cidadãos leitores/usuários e o conteúdo do portal, apontando elementos que precisam de reformulação para que a navegação e compreensão durante a leitura dos dados disponibilizados aconteça com menos entraves e permita efetivos acompanhamento e fiscalização da administração pública por parte dos cidadãos brasileiros.
Autores: Ranielli Santos de Azevedo

Leia o ARTIGO COMPLETO aqui

30 thoughts on “Liberdade de acesso, política e interação: experiências de leitura e navegação no Portal da Transparência do Governo Federal

  1. O artigo apresenta uma conclusão interessante sobre a distância entre teoria e prática no Portal da Transparência do Governo Federal. Segundo a autora, o Portal da Transparência pretende expor de forma clara dados orçamentários para a população, mas devido a linguagem técnica utilizada e o modo como as informações são dispostas no portal, o objetivo de ser transparente para os usuários na prática não é efetivo. Portanto, na teoria temos um portal que visa ser um instrumento da democracia ao disponibilizar para todos as informações sobre o Orçamento Público, na prática, temos um portal que não sai da burocracia, pois, como diz a autora, são tantos os “entraves” para obter tais informações que os cidadãos desistem de acompanhar o destino do dinheiro público. Embora pensando que na realidade o interesse do governo não é ser transparente, menos ainda democrático, acredito que a pesquisa é uma ótima iniciativa, se não para resolver os problemas do Portal, ao menos para discuti-los.

    • Olá, Roberta! De fato, o Portal da Transparência apresenta muitos entraves à leitura e navegação do leitor/usuário. Acredito que já é um grande avanço termos, na atualidade, portais que permitam o acesso às informações sobre o que estão fazendo com o nosso dinheiro. Entretanto, para que isso surta algum efeito em nossa sociedade, é necessário uso efetivo e cobrança por parte da população. Enquanto ainda não chegamos nesse patamar, fazemos nossa parte, tentando fomentar a discussão acerca desse direito conquistado e estudando possibilidades de fazer com que a leitura e navegação dentro do Portal da Transparência ocorra de maneira mais fluida. Muitíssimo obrigada pela interação!

      • E já que estamos falando da relação teoria e prática, espero que sua pesquisa contribua para passarmos da reflexão à ação, talvez exigir mais transparência no Portal da Transparência seja um bom começo!

  2. Ranielli, parabéns pelo artigo e pela proposta de pesquisa. Seu trabalho associa dois temas fundamentais: a consciência crítica no uso da linguagem na Internet e a consciência crítica nos assuntos referentes à política nacional. Tendo em vista as primeiras conclusões de seu artigo, acredito que para a compreensão do Portal da Transparência ou de qualquer outro site, deve-se articular atividades com os vários letramentos existentes, sendo necessário, pois, associar as competências e habilidades de leitura e escrita dos textos digitais com as competências que ajudem na formação de pessoas para refletirem e participarem com mais consciência das práticas de letramentos em que estão inseridas! Acredito que a análise do Portal também torna-se uma contribuição para os webdesigners refletirem a interatividade nesse espaço! Parabéns!!!

    • Bruno, você resumiu, maravilhosamente, a conclusão que considero mais importante nesse trabalho. Acho que vou precisar citá-lo em minhas conclusões!!! Os entraves que o Portal apresenta atrapalham seriamente a compreensão dos dados, mas acredito que a deficiência nas habilidades de leitura e a dificuldade de articular esses diversos letramentos, tão bem colocados por você, compõem o nosso real “calcanhar de Aquiles”. Temos um outro agravante: a falta de interesse da população pelas questões políticas. A cada dia torna-se mais claro para mim, como professora, que a Educação de Qualidade é o maior bem que um país pode ter! Obrigada pela colaboração!

      • Que bom que gostou do comentário! Trabalho, como o seu, contribuir para melhorar a prática pedagógica!! 🙂

      • Nossa, como curtir um comentário aqui no evento?? “… Educação de Qualidade é o maior bem que um país pode ter!”

  3. Ranielle,
    Parabéns pela pesquisa!
    Como disseram os colegas, a relevância deste tema nos leva a refletir sobre o papel do governo federal no desenvolvimento da consciência crítica dos cidadãos brasileiros.
    Se por um lado as dificuldades observadas na leitura e na navegação aliam as habilidades dos leitores (ou falta delas) e a própria estrutura do portal, por outro, podemos inferir que o letramento crítico ainda é muito pouco explorado nos contextos educativos, resultando na falta de mobilização de toda a comunidade para empreender ações participativas e críticas, como no caso, exigir, de fato, a transparência na aplicação dos recursos públicos.
    Sucesso! Abraço,
    Valéria

    • Valéria, sua preocupação com o letramento crítico entrega sua profissão rs! Trabalha com educação e sabe o quanto temos responsabilidade sobre essas questões. Precisamos pensar em novas formas de desenvolver esse letramento no contexto escolar e devemos também, como cidadãos, contribuir com a “mobilização de toda a comunidade para empreender ações participativas e críticas”. Olha eu te citando aí! Obrigada pela participação!

  4. Ranielli, o seu artigo tras uma discussão sobre a linguagem e interpretação dos sinais muito interessante. Falo sobre interpretação dos sinais, pois no Portal da Transparência, assim como em outros sites da internet, nos guiamos muito pelos formatos, icones que nos remetem a uma simbologia já consagrada no dia a dia virtual. Pelo que você bem abordou na sua pesquisa, mesmo algumas pessoas que possuem um pouco mais de contato com as ferramentas digitais, sentiram uma certa dificuldade em encontrar informações e localizar dados dentro da página do governo. Isso nos mostra que a função essencial e primordial do site, que era dar transparência, não esta sendo alcançada. Talvez o problema seja do governo achar que quem procuraria estas informações são pessoas quem lidam diariamente com meios digitais e portanto não foram zelosos com este quisito? Ou talvez seja intencionalmente, para que em função de um grande trabalho e desgate desistamos da procura por informações? O fato é, que a linguagem, como vc bem explora no trabalho, não facilita a vida do leitor, faltam conexões com as cores, muitos passos a seguir para encontrar uma única informação. Uma linguagem q

  5. Ranielli, o seu artigo tras uma discussão sobre a linguagem e interpretação dos sinais muito interessante. Falo sobre interpretação dos sinais, pois no Portal da Transparência, assim como em outros sites da internet, nos guiamos muito pelos formatos, icones que nos remetem a uma simbologia já consagrada no dia a dia virtual. Pelo que você bem abordou na sua pesquisa, mesmo algumas pessoas que possuem um pouco mais de contato com as ferramentas digitais, sentiram uma certa dificuldade em encontrar informações e localizar dados dentro da página do governo. Isso nos mostra que a função essencial e primordial do site, que era dar transparência, não esta sendo alcançada. Talvez o problema seja do governo achar que quem procuraria estas informações são pessoas quem lidam diariamente com meios digitais e portanto não foram zelosos com este quisito? Ou talvez seja intencionalmente, para que em função de um grande trabalho e desgate desistamos da procura por informações? O fato é, que a linguagem, como vc bem explora no trabalho, não facilita a vida do leitor, faltam conexões com as cores, muitos passos a seguir para encontrar uma única informação. Uma linguagem que era para ser acessível não esta cumprindo sua função.
    Parabéns pelo trabalho.

    • Olá, Renata! Parece que seu primeiro comentário sofreu com os “ruídos” do meio digital, né? Responderei nesse segundo, então! Bem…estudar os “formatos, ícones, símbolos…” que você citou, foi, certamente, a parte mais prazerosa desse trabalho. É realmente interessante observar como códigos e elementos visuais são capazes de transmitir mensagem e como essas mensagens são captadas pelo sujeito que interage com qualquer conteúdo, inclusive o digital. Acredito que os produtores do Portal da Transparência têm por obrigação, zelar pela usabilidade e oferecer uma linguagem adequada ao público-alvo. Espero que não haja por trás desses entraves, algo de intencional…no sentido de fazer o cidadão desistir de fiscalizar a administração dos recursos públicos. Espero mesmo que não! Entretanto, como vivemos em um país que, há muito, sofre com os problemas da corrupção, acho totalmente plausível que os cidadãos olhem com certa desconfiança para as ações do governo. Resta a nós fiscalizar, cobrar melhorias…enfim, participar ativamente das questões políticas. Fico muito grata por sua interação!

  6. Oi Ranielli, parabéns pela proposta.
    Fiquei curioso para ler sua dissertação. Essa problemática em torno da publicação do material e as implicações nas leituras que se fazem a partir dele são muito interessantes. Acho interessante como os trabalhos aqui no evento se conversam. Uma das dificuldades encontradas por você, a não compreensão de textos técnicos, está relacionado como trabalho da Giovana Rodrigues, apresentado aqui no evento, que propõe um corretor terminológico que diminua esse problema de compreensão que você constatou em sua pesquisas. Interessante observar como os “galhos” que se formam na construção da árvore do site condicionam a leitura das pessoas. As dificuldades encontradas acabam afastando os cidadãos desse direito de acesso às informações que é de obrigação do poder público. Você fala em mudanças e reformulação da apresentação dessas informações nos portais. Queria que você expusesse uma ou algumas delas. Grande abraço, excelente trabalho. André William.

    • Oi, André William! Um exemplo de reformulação que apontamos como necessária para aspectos de leitura, está relacionada ao glossário do portal. Alguns dos informantes do teste decidiram consultá-lo, mas a linguagem do próprio glossário é ainda muito técnica e os leitores continuam, mesmo após a consulta, sem compreender o sentido de determinadas palavras e expressões. Como exemplo de mudança necessária em termos de navegação, pego um aspecto de usabilidade. Há campos de consulta de dados espalhados por todo o portal, mas são deficientes, exigem exatidão nos termos digitados pelos usuários, não respondem à buscas por palavra-chave, por exemplo. E nós usuários estamos cada vez mais “bem” ou “mal” acostumados com sistemas de busca que nem esperam a conclusão de nossa digitação para nos oferecer uma resposta. Entendo que os sistemas de busca do Portal da Transparência não sejam “padrão Google”, mas poderiam ser um pouco mais eficientes do que são hoje. Interessei-me pelo trabalho da Giovana Rodrigues! Darei uma lida! Obrigada pela participação!

  7. Oi, Ranielli! Ótimo texto.
    Certamente, a lei de responsabilidade fiscal que exige ampla divulgação aos cidadãos dos gastos do dinheiro público pelas instituições públicas, amplia o uso de softwares e recursos das tecnologias da informação e comunicação. Como o governo federal tem aderido ao uso do software livre, percebemos nessa adesão a possiblidade, sim, de democratização da informação de interesse dos cidadãos, bem como a autonomia e liberdade do cidadão de participar mais de perto das decisões políticas, econômicas e sociais que dizem respeito a sua vida e da sociedade na qual está inserido.

    • Olá, Jaiza! Verdade, as possibilidades tecnológicas estão todas aí, ao alcance de nossas mãos, e o governo brasileiro nos permite o acesso à informações sobre os gastos públicos. Nossa preocupação nesse trabalho, fica então por conta de averiguar se o modo de apresentação do conteúdo disponibilizado pelo governo contribui com a compreensão do cidadão e se esse cidadão está apto a compreender esses dados. Não teremos todas as respostas, mas estamos tentando chegar lá! Obrigada pela participação!

  8. Parabéns Ranielli pelo artigo, sua proposta é maravilhosa, muito se tem falado nos avanços tecnológicos mas ainda é precário o ensino de como ler neste novo suporte, muitas pessoas ainda naufragam nos textos digitais, e o Portal da transparência não ajuda muito na navegação. O letramento político e digital é condição sine qua non para o exercício pleno da cidadania.

    • Certamente, Lucienne! Para participarmos mais amplamente das questões políticas que atingem tão diretamente o cotidiano de cada um de nós, precisamos “articular os diversos letramentos” associando-os ao desenvolvimento de nossas habilidades de leitura e escrita, como tão bem colocou o nosso colega Bruno em um comentário mais acima. Grata pela interação!

  9. Muito interessante seu trabalho, Ranielli. A “liberdade” muitas vezes não passa de um conceito, o Outro não é considerado em suas especificidades e a liberdade em si acaba não acontecendo. O seu trabalho evidencia isso, a pretexto de cumprimento da lei de liberação de informações sobre a execução orçamentária, o Sujeito que poderia se interessar por essas informações acaba sendo tolhido por todas essas dificuldades que você levantou. Eu me pergunto para quem esses ambientes são feitos, acho que não são para os cidadãos. Abç. Fátima Calicchio.

    • Olá, Fátima! Esse é um pequeno resumo de uma pesquisa mais ampla que estou realizando em meu curso de mestrado. Analisar interações com o Portal da Transparência foi uma maneira que encontrei de ampliar as discussões sobre o tema,pois, já que conquistamos o direito de acesso às informações sobre a execução orçamentária em nosso país, acredito que podemos agora, avançar ainda mais. Daqui para frente, devemos utilizá-lo, apontando as deficiências e cobrando as mudanças necessárias, tanto em relação a própria execução orçamentária quanto em relação ao modo como o portal se apresenta para o cidadão leitor/usuário. Muitíssimo obrigada por sua participação!

  10. Rani, parabéns pelo trabalho. A sua pesquisa aborda um tema bastante interessante, o q nos instiga a ler a sua dissertação para saber um pouco mais sobre o estudo, já q aqui vc apresenta apenas de forma geral. Acho muito válida a iniciativa do governo em disponibilizar os dados orçamentários para q haja um maior controle e fiscalização pela população. Reconheço que há alguns problemas que interferem na leitura do portal e em sua navegação. Mas, fico me perguntando sobre uma questão anterior, q sempre é focada quando se fala nos problemas do país: a educação. Infelizmente, não somos educados para lidar com questões políticas e muito menos orçamentárias, o q dificulta a analise do portal. Porém, como isso já é sabido, o governo deveria disponibilizá-las de uma forma mais clara, para q as pessoas, pelo menos, ficassem instigadas a procurar um pouco mais sobre o assunto. De qq forma, se pensarmos q nossa democracia é bastante nova, e quem há bem pouco tempo não havia nenhum tipo de controle, já estamos avançando. Seu trabalho contribui nessa direção, em aprimorar as ferramentas disponibilizadas pelo governo, para que todos, de fato, tenham acesso. Só fico um pouco incomodada quando vc diz q há uma baixa participação política. A q participação vc se refere? De fato, se pensarmos em grandes mobilizações como na década de 70/80, não as temos mais. Porém, há vários canais de participação, institucionalizados ou não, que vem funcionando em algumas localidades. Mas, isso já é um olhar mais “direcionado”.
    Parabéns e espero q vc continue sua pesquisa em um possível doutorado!

    • Oi, Laura! Agrada-me o seu ponto de vista mais otimista ao observar que, “há bem pouco tempo não havia nenhum tipo de controle, já estamos avançando”, pois agora temos alguns. Acho que nós cidadãos precisamos ver o Portal da Transparência, não como uma “camaradagem do governo”, mas como uma conquista nossa, consequência do desenvolvimento de uma democracia que, como você bem relata, ainda é “bastante nova”. Interessante sua colocação sobre “canais de participação que vem funcionando em algumas localidades”. Gostaria de saber mais sobre eles…Quando falo sobre a “baixa participação política”, falo da realidade que vivemos em nossa sociedade contemporânea, quando, em grande maioria, nós cidadãos, limitamos nossa participação política ao momento do voto e mais tarde não nos preocupamos em acompanhar o trabalho de nossos representantes, em fiscalizar o que estão fazendo com o nosso dinheiro, em cobrar os nossos direitos… Você citou a educação como um problema que afeta a nossa capacidade para lidar com questões políticas e orçamentárias… Também parto daí quando penso em baixa participação política… é a falta de participação do cidadão comum, que não tem volume adequado de conhecimento político, que não se interessa porque não entende ou porque vive uma vida tão sacrificada que não tem mesmo o tempo, a possibilidade ou a habilidade necessária para participar de debates públicos ou de qualquer outro tipo de mobilização política. Que bom que entendeu claramente o objetivo desse trabalho! Não pretendo repetir o velho discurso, reprovando qualquer iniciativa do governo e justificando o distanciamento das questões políticas pela frustração com a corrupção. Se conquistamos o direito ao acompanhamento do orçamento público por meios eletrônicos, lutemos agora pelo aprimoramento das ferramentas e conteúdos disponibilizados e também por uma educação de qualidade, que instigue no cidadão a vontade de estar no controle das ações políticas, ações estas que, de uma maneira ou de outra, atingem a vida de cada um de nós. Obrigada por colocar ideias tão interessantes em questão!

  11. Oi, Laura! Agrada-me o seu ponto de vista mais otimista ao observar que, “há bem pouco tempo não havia nenhum tipo de controle, já estamos avançando”, pois agora temos alguns. Acho que nós cidadãos precisamos ver o Portal da Transparência, não como uma “camaradagem do governo”, mas como uma conquista nossa, consequência do desenvolvimento de uma democracia que, como você bem relata, ainda é “bastante nova”. Interessante sua colocação sobre “canais de participação que vem funcionando em algumas localidades”. Gostaria de saber mais sobre eles…Quando falo sobre a “baixa participação política”, falo da realidade que vivemos em nossa sociedade contemporânea, quando, em grande maioria, nós cidadãos, limitamos nossa participação política ao momento do voto e mais tarde não nos preocupamos em acompanhar o trabalho de nossos representantes, em fiscalizar o que estão fazendo com o nosso dinheiro, em cobrar os nossos direitos… Você citou a educação como um problema que afeta a nossa capacidade para lidar com questões políticas e orçamentárias… Também parto daí quando penso em baixa participação política… é a falta de participação do cidadão comum, que não tem volume adequado de conhecimento político, que não se interessa porque não entende ou porque vive uma vida tão sacrificada que não tem mesmo o tempo, a possibilidade ou a habilidade necessária para participar de debates públicos ou de qualquer outro tipo de mobilização política. Que bom que entendeu claramente o objetivo desse trabalho! Não pretendo repetir o velho discurso, reprovando qualquer iniciativa do governo e justificando o distanciamento das questões políticas pela frustração com a corrupção. Se conquistamos o direito ao acompanhamento do orçamento público por meios eletrônicos, lutemos agora pelo aprimoramento das ferramentas e conteúdos disponibilizados e também por uma educação de qualidade, que instigue no cidadão a vontade de estar no controle das ações políticas, ações estas que, de uma maneira ou de outra, atingem a vida de cada um de nós. Obrigada por colocar ideias tão interessantes em questão!

  12. Parabéns Ranielli, gostei muito das conclusões do seu trabalho. Concordo que no Brasil, a disponibilidade da informação não soluciona o deficit democrático sem a resolução do deficit educacional. Eu diria ainda: mesmo que os sujeitos consigam ultrapassar todas as barreiras de acesso a informação oneradas pelo sítio, e ainda que consigam extrapolar os próprios limites de compreensão da linguagem impostos por uma má educação formal, o acesso aos meios de denúncia e de investigação, seguem indisponíveis ou restritos ao cidadão comum, desprovido de serviço ou saber jurídico, que anseia por uma maior participação política.

    • Olá, joboalaz! Não sei bem dizer se o cidadão comum anseia por uma maior participação política, mas, certamente, deveria ansiar. Falamos muito em “falta de vontade política” por parte de nossos representantes, mas nos esquecemos que deve haver vontade política também por parte do cidadão. Concordo quando fala desse cidadão comum “desprovido de serviço ou saber jurídico” que acaba por ficar à margem das questões políticas do país. Os dados do teste de interação também revelaram que os participantes mais hábeis com a leitura, mesmo não tendo um letramento político desenvolvido, compreenderam melhor os dados do portal,ainda que de modo insuficiente. Por isso, realço a importância de superarmos os problemas com a “compreensão da linguagem”, que você coloca. Acredito que o portal precisa passar por importantes reformulações, mas a educação no Brasil e a postura política do cidadão brasileiro, são pontos que precisam passar por uma reformulação ainda maior. Como educadora, prefiro seguir otimista nesse sentido 🙂 Muito obrigada por suas colocações!

  13. Olá, Ranielli,

    Muito bom o seu trabalho! Quero ter a oportunidade de assistir a sua defesa.

    Gostei muito do refinamento que você alcanç para avaliar a usabilidade do site. Não imaginava a possibilidade de se filmar o usuário e captar sua emoção.

    Como redatora do setor governamental, sinto que cada vez mais tenho que me adaptar às novas tecnologias. Já não é suficiente ter habilidade com editores de texto; é preciso entender de html, da relação entre aspectos visuais e o texto verbal, de usabilidade. Seu trabalho é bastante esclarecedor nesse sentido.

    Um abraço,

    Giovana

  14. Parabéns pelo artigo. É evidente a necessidade de se considerar o letramento das pessoas que precisam absorver determinado conteúdo. E ainda, a necessidade de serem criadas leis que efetivamente sejam cumpridas. Na minha futura profissão de Arquiteto e Urbanista, sempre terei que considerar o letramento de quem irá ler um texto, se é um técnico ou um leigo, por exemplo. Há também neste meio, leis urbanísticas e ambientais que não são cumpridas efetivamente. Talvez seria a necessidade de, caso não esteja sendo prevista, que seja a inclusão na lei da obrigatoriedade de uma aplicação mais inteligível a ela.

    Gustavo Simões

  15. Realmente existe uma distancia enorme entre teoria e pratica no portal da transparência, é uma boa iniciativa governamental, embora muito ainda tenha que ser feito no âmbito legal, a corrupção acontece o tempo todo em nosso pais, e elas são mascaradas, por um lado o portal da transparência nos da certa falsa sensação de justiça se for pensar por este lado. A participação social na politica deve ser motivada e ensinada.
    Ótimo artigo!