Histórias, Redes Sociais e Memória

Das várias metáforas inadequadas que usamos ao falar sobre computadores, a que mais incomoda o autor dessas linhas é o uso do termo “memória”.
Podemos dizer que o que chamamos de memória nos computadores, é um dispositivo capaz de armazenar e recuperar dados, com precisão matemática, em código binário. De um modo bastante diverso, entre nós humanos, a memória é um processo muito mais complexo de reconstrução de uma experiência vivida no passado “pelo confronto com o presente e em comparação com outras experiências paralelas”1. Numa primeira leitura, se comparamos a memória humana com a dos computadores, a nossa pode ser considerada “falha”, por não funcionar “acessando” uma lembrança com perfeita exatidão, mas sim recriando, reconstruindo lembranças do passado.
E é nessa construção que se encontra a beleza da memória humana.
Autores: h.d.mabuse

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13 thoughts on “Histórias, Redes Sociais e Memória

  1. Adorei! O tema é muito importante, Mabuse.
    Quando eu fiz minha primeira revista online (eu achei como fazer html no google, não sabia coisa alguma de programação), eu me preocupava muito com essa história da memória na web. Queria manter a identidade visual da revista, que, claro, com a minha “santa competência”, ficou horrível e logo arrumaram alguém melhor pra fazer isso. E esse alguém começou um tal de muda, muda, muda (e ficou mesmo muito melhor!).
    Durante algum tempo, mantiveram aquela cara horrível dos primeiros números, mas hoje não existe mais, padronizaram tudo e qualquer resquício da história da revista se foi. Não que eu ache que a revista precise ficar horrível, mas a ideia de praticidade na web faz com que a história fique irrelevante.
    E eu acho que, para as gerações futuras, seria importante saber que uma revista científica (hoje reconhecida na área, mantida pela Unesp onde a deixei quando vim pra BH), começou assim, com códigos html feitos por uma leiga num editor de textos simplório (o notepad).
    As pessoas poderiam descobrir, de repente, coisas interessantes como o significado de “querer é poder” e que compartilhar conhecimento é fundamental para o futuro mais livre e pleno da humanidade, por exemplo.

  2. Não havia pensado em internet como preservadora da memória. E de fato, essa preservação é verdadeira. Quantas vezes precisamos de textos que já produzimos, quantas vezes se fez necessário rever uma conversa em uma rede social, e até mesmo relembrar momentos com fotos anexadas na web! É triste saber que certas empresas não demonstrem ter o interesse no valor social da produção de texto e de imagem e da fonte rica de pesquisa e preservação da memória que poderá ser afetada com restrições à internet.

  3. De fato, uma resignificação do verbete “memória” em tempos de informática e internet tão presentes no cotidiano, onde até mesmo é possível materializar-se tal termo, nos remete a um futuro talvez mais próximo do que se pensa, onde os conceitos atuais tão consolidados poderão tornar-se referências cada vez mais distantes das que entendemos. Será que um “cérebro” poderá ser também feito a partir do silício?

  4. Parabéns pelo artigo,
    O tema é muito interessante a internet como forma de preservar a memória, e de fato a internet é uma ferramenta que pode ser usada na preservação e divulgação de memórias, sendo também uma forma das pessoas descobrirem e compartilhar conhecimento.

  5. Caro autor!

    Achei muito pertinente o tema e vejo esse artigo como uma ótima proposta para discussão no meio acadêmico. Seria interessante fazer uma investigação sobre o qual a noção de memória que elas tem. Existe uma literatura mais especializada na área da linguística que pode auxiliar a compreender o que é memória, memória no contexto das novas TICs, memória de representação identitária. Enfim, gostei do que escreveste e acho que é um modo de refletir sobre o modo como resgatamos as nossas memórias e o modo como usamos as tecnologias para tal. Abraço

  6. Parabéns pelo artigo! O tema é realmente pertinente, principalmente para o Turismo – que se apropria da memória como matéria-prima de trabalho, tratando o passado como cotidiano vivo e como legado.
    Atualmente, há diversos blogs que tentam resgatar a memória coletiva da sociedade brasileira, como das cidades coloniais mineiras e de Belo Horizonte durante os anos 1950 a 1970 por meio de imagens. Para as empresas do ramo, trata-se de disponibilizar meios de arquivamento de imagens. Já para os blogueiros e seguidores, trata-se da comunicação, do recordar, reviver e até mesmo se afirmar através da identificação com a sua época – como os pais fazem contando seu passado aos filhos.
    Na internet, memória acaba ganhando o sentido de momento passageiro como o próprio tempo e como tal, as pessoas observam as fotos, resgatam e esquecem novamente ao desligar o computador. Sob essa ótica de memória, a tecnologia é abandonada quando deixa de ser sucesso ou fica obsoleta, perdendo consigo todo o material que possuía.

  7. Achei o artigo muito interessante, principalmente por abordar um outro lado da internet que muitas vezes não é percebido. A Internet é sempre vista como um provedor de informação e um meio de comunicação e interação social, porém a constatação de que ela é também um arquivo de memórias é muito pertinente. Conteúdos postados no passado, como imagens, vídeos e textos, podem ser acessados para resgatar lembranças já esquecidas. Ao ler o artigo me lembrei inclusive de blogs e “fotologs” pessoais muito populares há alguns anos, que continuam preservados e nos remetem a momentos vividos anteriormente.

  8. Pingback: Debates finais do UEADSL 2012.1 – Participe! | Carlos Henrique Silva de Castro @chcastro

  9. Parabéns Mabuse, excelente artigo. Nunca tinha visto uma abordagem que relacionasse os temas abordados de forma tão substantiva. É realmente relevante compreender as relações sociais a partir da “disseminação” da web, bem como os valores por ela difundidos e seus impactos na cultura social.

  10. Parabéns pelo trabalho. Muito rica a sua abordagem sobre a memória. E considero bastante pertinente a importância dada à internet pelo seu valor social da produção de texto e imagem, e seu papel na preservação da memória. É fato que essa importância existe, e muitas vezes não nos damos conta disso. Como poderíamos compartilhar informações e conhecimentos sem que o armazenamento fosse feito? Parabéns mais uma vez!

  11. Excelente artigo, nos faz refletir, sobre o avanço vertiginoso da tecnologia, e como poderemos lidar com a banalização da imagem, que no mesmo momento em que é captada, pode ser excluida com um simples clicar.

  12. Muito interessante, me mostrou um lado da internet que não tinha observado ainda

  13. O artigo me levou a pensar melhor sobre o armazenamento da informação.
    Todos percebemos o quanto a internet é rápida na divulgação de conteúdo, mas nem sempre percebemos que ela é rápida também em esquecê-lo.
    Na rede o que é destaque em um dia desaparece no outro e embora o conteúdo esteja disponível para todo o planeta, depois que perde sua utilidade é simplesmente deletado.
    Embora tenha um alcance menor, a informação impressa pode ser muito mais segura e resistir ao tempo.