Liberdade na internet e aprendizagem: relações dentro e fora da sala de aula quando a aula está na rede

Esta mesa redonda foi montada para discutir temas como trabalho em grupo, presença humana e feedback em situação de disciplinas online na Universidade, diante da questão da liberdade na internet. Liberdade como libertinagem ou liberdade com responsabilidade? Liberdade para “trollar” ou liberdade para compartilhar. Os convidados possuem experiência com atendimento a distância sincrônico e assíncrono em disciplina online oferecida em cursos presenciais da UFMG.
Autores: Ana Cristina Fricke Matte
Francine de Souza Andrade
Aline Furst Akar
Thalita Santos Felício de Almeida
Denise Coura Rodrigues
Agda Mendonça
Eclésio Giovanni de Fátima Silva

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8 thoughts on “Liberdade na internet e aprendizagem: relações dentro e fora da sala de aula quando a aula está na rede

  1. Ana, a interação é a chave e ela é possível presencialmente ou mediada. Algumas pessoas se dão melhor com a interação face-a-face e outras com a virtual. Muito bacana o seu alerta: aluno pode fazer um monte de coisas e na UNI003 a maioria quis e saiu ganhando com isso. É o que queremos: alunos que aproveitem os espaços e oportunidades e que saiam ganhando com isso.

    Francine, educação e gentileza são sempre bem-vindas com toda certeza. Acho que esses alunos que não respeitam o espaço do outro, só porque é virtual, talvez sejam como aqueles alunos do presencial que estão tendo sua primeira aula como o professor novato e começam a testá-lo pra ver até onde podem ir, o que o professor suporta de falta de educação, de respeito, etc. Até no ensino superior vemos isso quando alunos não fazem a leitura pedida, quando faltam e mandam assinar a lista de presença, quando chegam ao final da aula, etc. Noto que nossos alunos da UNI003 são, em sua maioria, calouros nessa modalidade de ensino e carentes do afeto que sabem aproveitar no presencial. Daí, nos testam, gritam e clamam por atenção. Em uma reunião de tutores e coordenação que fizemos, pontuamos a importância de um código de conduta e de uma postura firme com seu descumprimento. Acho que o caminho é informarmos tudo claramente, sempre. Acho que estamos melhorando nesse sentido e espero que tenhamos melhores resultados em termos de gentileza no espaço virtual a partir da implementação desse código, no próximo semestre. Ótimo relato o seu. Ele corrobora nossa preocupação com esse tipo de comportamento.

    Agda, muito boa a sua reflexão e ela agrega às dos seus colegas co-autores. Assim como posto por Ana, o virtual tem suas vantagens, como o presencial tem as suas. E elas são distintas e podem se complementar. Como você pontuou, a mediação tecnológica pode aproximar muito as pessoas. Da mesma forma, a presença física não garante a interação. O nosso papel, enquanto educadores em ambiente virtual, é mostrar afeto. Seja nas nossas respostas, na pontualidade de um retorno de dúvida ou na resolução de um problema pendente. As ferramentas que você citou, como os fóruns e os grupos de trabalho, também nos ajudam bastante na aproximação tão necessária para a fluidez dos trabalhos que não devem ser feitos isoladamente. Então, como você finaliza seu texto, exploremos os recursos dos quais dispusermos e ensinemos nossos alunos a fazê-los.

    Aline, concordo com você que a questão do trabalhar em grupo no ambiente virtual é uma questão de prática. E olha, trabalho em grupo dá problema em qualquer meio, com comunicação face a face ou mediada. Eu, pelo menos, presencio problemas desse tipo desde a 5ª série. E o motivo não é proximidade física. Já tive problema até com primo que queria assinar trabalho que não fez. Talvez, em meio aos 500 alunos da UNI003, estejamos prestando mais atenção aos que gritam, esperneiam, reclamam… e deixando de ouvir uma outra voz silenciosa que merece atenção: a voz daqueles que estão satisfeitos e que são a maioria. Afinal, se verificarmos a quantidade de trabalhos publicados no UEADSL, bem como no IX EVIDOSOL, vejo que a maioria esmagadora foi feita em grupo.

    Clayton, muito bacana seu ponto de vista. Concordo contigo, sobretudo quando diz que tudo que é novo causa desconfiança e, muitas vezes, preconceito. Outra coisa que você salientou e acho de extrema importância, é o papel de mediador que o professor deve ter e que, infelizmente, no ensino presencial nem sempre acontece. Há muita gente, alunos mesmo, que acha que dar aula é subir no palco e falar freneticamente por dois horários seguidos, quiçá quatro. Daí, o aluno assume o papel passivo de receber informação, que às vezes entra por um ouvido e sai pelo outro, decora meia dúzia de coisa para a prova e ta tudo resolvido. Mas sabemos que educação é muito mais que isso. É, sobretudo, interação e trocas. Algo que o on-line comporta muitíssimo bem. Esse evento é a prova disso.

    Parabéns a todos pelas reflexões e experiências partilhadas!

    • Olá Carlos,

      Que bom que o meu relato serviu para contribuir com a discussão da necessidade de um código de conduta. Para haver crescimento é preciso compartilhar experiências e ouvir muito. Eu sinto que cresci muito nesse período que estou atuando como monitora, até pelo o fato de compreender que esses alunos problemáticos são minoria, mas uma minoria que faz tanto barulho que nos perturba, ao ponto de não conseguirmos ver os frutos do nosso trabalho ( taí uma coisa que a Ana sempre me advertiu!) e por isso, hoje eu consigo distinguir que nem sempre “pedrada” é sinal de desrespeito, mas de admiração, afinal só se atira pedras em árvores que têm frutos, afim de usufruir destes.

      • Acredito que o ensino a distância, desde que encarado de maneira séria, tanto por aluno quanto por professor, se apresenta como uma importantíssima ferramenta de acesso ao conhecimento, principalmente para aqueles que possuem algum tipo de restrição, seja ela econômica, logística ou até de tempo. A consequência de tudo isso é o aumento do acesso a educação, que muitos até então não tinham condições.
        Alguns questionam a falta de contato entre aluno e professor, porém este tipo de ” contato virtual” se mostra cada vez mais comum nos dias de hoje. Funcionários de grandes empresas se mantem em contato a todo momento, mesmo que dispersos pelo globo, percebe-se isso através do crescimento do chamado ” home office”, em que as pessoas trabalham em suas casas, não possuem contato pessoal com outras pessoas, mas faz parte d um processo integrado de comunicação na internet que possibilita o alcance dos objetivos.

    • Carlos,
      é isso mesmo. Quando, nos semestres passados, focalizamos a questão do software livre, muitas vezes vieram pra cá, pro nosso evento, opiniões completamente contrárias às nossas. Fiquei chateada? Claro que não! Esse é o espírito: gostar ou não gostar de um tema não tem nada a ver com escrever sobre ele. Passamos a maior parte da nossa vida fazendo trabalhos que não gostamos, escrevendo sobre assuntos que não teriam nossa preferência se pudéssemos escolher. O bom dessa disciplina é poder fazer debate de verdade: poder falar o que pensa (e no caso “falar” é escrever, porque é o objetivo principal da disciplina) enquanto faz os exercícios. A gente sempre lembra mais fácil da piada que alguém contou no meio da aula do que do conteúdo da aula. O professor que coloca o conteúdo dentro da piada, mesmo que o aluno nem perceba isso, ganha o dia 🙂
      Escrever é uma das coisas que a gente só aprende fazendo. O aluno que aproveita esse espaço e ferramentas que disponibilizamos, mesmo que se esqueça que é uma aula de redação, ganha o semestre!
      obrigada,
      Ana

  2. Pingback: Debates finais do UEADSL 2012.1 – Participe! | Carlos Henrique Silva de Castro @chcastro

  3. Carlos,
    Obrigada pelo seu comentário!
    Nos últimos meses tive a oportunidade de vivenciar plenamente esta possibilidade de amizade à distância. É como você disse: o fato de poder ajudar os alunos em suas dificuldades é prazeroso e gratificante. Por outro lado, fui muito bem acolhida pela equipe do UNI003 e, em pouco tempo, sinto-me rodeada de grandes amigos. Só conheço pessoalmente o Eclésio, a Márcia e o Cleyton. Nem por isto deixa de existir uma grande amizade e confiança em toda a equipe.
    Abraço a todos.
    Agda Mendonça

  4. Adorei o tema trabalhado no artigo.Durante a leitura identifiquei várias situações que acontecem diariamente em um ambiente virtual.
    Parabéns!