Diferenças de gerações e a geração do “bullying”

Algumas ferramentas da semiótica greimasiana serão utilizadas para análise do percurso gerativo de sentido de um texto sobre “bullying” publicado na internet. O texto apresenta o posicionamento crítico de um pai português sobre a questão, levantando hipóteses sobre as razões deste fenômeno e realizando comparações entre a trajetória na infância e adolescência da geração atual e de sua geração. Os focos das análises serão as modalizações dos sujeitos e os percursos narrativos dos envolvidos em situações onde se caracteriza o “bullying”, tentando mostrar a base lógica das afirmações e suposições apresentadas no texto.
Autores: Lucas Coelho

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18 thoughts on “Diferenças de gerações e a geração do “bullying”

  1. Oi Lucas,

    O arquivo não abre. Estou curiosa para ler e gostaria enviar meu comentário.

    Abraço,

    Mônica

  2. Obrigado pelo aviso!

    Acho que agora está direitinho. Dê uma lida, espero que seja proveitoso.

    Abraço!

  3. Lucas, dois comentários:
    1) Semiótica não pretende defender ou ir contra ponto de vista algum, só quer mostrar isso: como esses pontos de vista foram construídos no texto. A partir dessa descrição somos capazes, geralmente, de perceber algumas estratégias não muito adequadas e foi isso que a análise mostrou: o autor faz uma análise maniqueísta da relação de pais e filhos no passado e no presente; ele faz parecer que o passado é harmonioso e só tem bons pais e que o presente é conflituoso e só tem maus pais. E, de quebra, põe a culpa na tecnologia. Visão mais ingênua de mundo impossível. Toda a complexidade das relações e dos tempos é deixada de lado na defesa de uma ideia e no máximo é isso que a semiótica mostra nesse teu texto, ela não prova ponto de vista de ninguém.
    Gostei do cuidado que você teve em delimitar bem o objeto e da clareza sobre qual parte da teoria usar, bem escolhida, inclusive. Parabéns.

    2) Estou a ler o artigo e lembrei de um caso da minha época de ginásio que eu já havia apagado da memória ativa: um colega, chamado PK (só ponho as iniciais, mas mais de 30 anos depois ainda lembro o nome completo do sujeito, o único que a turma chamava por nome e sobrenome) que nos aterrorizou por um ano. Mais velho e maior que todos nós, dava conta de massacrar duas crianças de uma vez só sem abalar o sorriso confiante. Não tinha preconceito de sexo: as meninas eram seu prato predileto para as aulas de handbol, das quais morríamos de medo e das quais sempre voltávamos roxas e doloridas. Uma vez eu desmaiei com uma bolada. E ninguém achou que fosse caso de chamar a direção ou os pais, afinal, era normal disputa entre alunos e acidentes em aulas de educação física acontecem… Desde que chegou, PK mostrou a que veio. E nunca deixou de nos atormentar até que, após as férias, não voltou. Ele seria o sonho de todo bulizador: tinha os seguidores e os que dele fugiam, mas era senhor absoluto naquele reino. E isso foi naquele tempo em que, segundo o texto que você analisou, os pais presentes não deixavam que violências acontecessem.

  4. Oi Lucas, parabés pela seleção deste corpus. O fato é que muita gente pens como esse pai. A Ana contou o caso dela e me lembrei do meu. Sempre tive uma mãe presente e isso não me impediu de chegar em casa com o braço quebrado no meu primeiro dia de aula porque alunos maiores me empurraram do banco e eu caí. “Naquele” tempo, (e bota tempo nisso), ninguém se ligava em determinados comportamentos sociais (mas individualizados) hoje nomeados em preconceito, racismo, bullying etc.
    O pai fala que sempre existiu. É fato mas o que nos assusta hoje em dia é a proporção e os desdobramentos dessas atitudes. Se por uma lado a sociedade condena, por outro, ela espera uma certa “reação”.
    E mais preocupante é o papel da mídia que mais confunde do que esclarece. Então, vamos ver o que ainda vem por aí.
    Grande abraço da
    Marisa

  5. Agradeço os comentários.
    Fui orientado, como analista, a não manifestar opinião pessoal sobre o assunto, e prefiro manter-me assim. Só não entendo colocações como “Visão mais ingênua de mundo impossível”, pois a “visão” que o mundo nos dá atualmente é de violência cada vez mais disseminada em diversos contextos, mas principalmente entre jovens e crianças.
    Quando eu digo que “a semiótica greimasiana confirmou (…) os pontos principais apontados pelo autor do texto”, mostro que as afirmações se mantêm consistentes de acordo com o ferramental teórico usado na análise do percurso gerativo de sentido.
    Opinião e preconceito é igual outra coisa… cada um tem o seu. É difícil mesmo uma opinião que vai contra a maré conseguir ser bem vista, e já que a onda agora é esta que estamos discutindo, não me espanta esse tipo de comentário.
    Há quem diga que não adianta nadar contra a correnteza, mas não custa tentar mostrar outros pontos de vista para quem queira aprender algo.

  6. Lucas, parabéns pelo artigo! Muito claro e direto.
    Mais uma vez confirmou-se a importância da participação dos pais no desenvolvimento dos filhos; no entanto, tal presença não é garantia de que a criança não sofrerá nenhum tipo de agressão.
    O bullying pode causar diversos prejuízos para a vítima, sua família e para a sociedade em geral.

  7. Olá Lucas!
    Gostei muito de ler o seu artigo. O seu objeto nos faz pensar na nossa infância e compará-la a infância de agora. O bullying certamente já existia nos tempos remotos, mas não tinha ainda este nome e/ou esta repercussão. Podemos dizer que a infância de hoje, além de estar frente a outros desafios modernos, encontra-se “menos protegida” pela figura dos pais, ausentes em virtude do trabalho e formação. Como professora em escola pública, observo que é notória a “conjunção” da criança e do jovem com o objeto violência, e as vezes a “disjunção” com a família. Bom seria se concebêssemos pais, cujos projetos sejam, em primeiro lugar, a educação dos filhos. Acredito que assim resolveríamos parte dos nossos problemas sociais, os quais começam dentro de casa. Abraço para você!

  8. Obrigado, Daniela!
    Você está certíssima (mesmo que, pela semiótica, eu só possa dizer que sua frase cria um efeito de verdade…). Nada garante coisa nenhuma, mas é bem evidente (se me permitem usar o termo) que os valores de nossa sociedade têm mudado e, como você bem disse, ela própria, famílias, todo mundo acaba sofrendo muito.

  9. Obrigado, Eliene!
    Maravilhoso ver o comentário de uma professora em escola pública, pois você é uma das pessoas que “sentem na pele” isto que nós e os “pseudo-intelectuais” (como diz o autor do meu texto) ficamos teorizando.
    E já que, como você disse, “parte dos nossos problemas sociais (…) começam dentro de casa”, talvez o mais sensato fosse começarmos logo a “arrumar a casa”, né. Abraço devolvido!

  10. Olá Lucas e colegas,

    Durante a leitura do texto e comentários estive pensando sobre esta relação entre ausência e presença dos pais na criação dos filhos e quanto isto pode deixar as crianças preparadas ou despreparadas para a ameaça de bullying. Não vejo muito esta questão que passado e presente sejam pontos já marcados como delimitadores de tempo quanto a atuação dos pais na educação dos filhos, acredito que nos dois tempos há pais presentes e ausentes e tampouco acredito que se os pais estão sempre presentes a criança estará mais preparada, até porque é notório em nossa sociedade a questão de crianças super-protegidas – os pais voltam em demasiado a atenção ao filho para todas as suas ações – o que deixa o mesmo fragilizado e inseguro em todas as suas ações, transformando-o assim em um provável sujeito de bullying no futuro. Parabéns pela estrutura da análise, muito coerente e objetiva.
    Francine Mendes

  11. Olá Francine.
    Como dizem, tudo em excesso faz mal; até água, que afoga. O mesmo deve se aplicar a cuidados e presença de alguém na vida de outrem, imagino. Se faltar é ruim, se tiver demais também. O sujeito inseguro pela presença excessiva dos pais, que você citou, pode ser sujeito tanto vítima quanto agressor, pois talvez não conheça bem os limites que determinam uma relação saudável com os demais e esta acaba se desequilibrando. Tanto mais se houver outros fatores que estimulem as posturas violentas, como o autor do texto tentou pontuar.
    Passado e presente podem também não ser marcas tão bem definidas assim nesta questão, como em qualquer outra, mas acaba dando uma sugestão, né.
    Obrigado pelo comentário.

  12. Oi Lucas,

    Parabéns! A partir da leitura do artigo e comentários consegui visualizar que o bullying na infância não é novo, infelizmente. Na minha prática na Educação Infantil percebo que ele (o bullying) acontece, principalmente, com as crianças bem pequenas, que não tem a possibilidade de reclamar.Essas crianças estão sim em “conjunção” com a violência, mas também com a falta de cuidados por parte dos pais.
    Percebo que em alguns casos existe a falta de tempo, porém em outros o que existe é a desconsideração da criança como membro importante da família.
    Você me fez refletir bastante. Obrigada!
    Ghisene

  13. Oi Ghisene,
    fico grato. É importantíssimo que você, como educadora, possa refletir sobre o assunto, pensar e discutir soluções, levar adiante. Ficou feliz que você e outros professores, pedagogos e demais profissionais envolvidos na educação deem importância a este tipo de debate e reflexão. Infelizmente muitos de nós que atuamos na educação, em qualquer esfera que seja, principalmente com crianças, já estamos cansados ou calejados demais para tentar mudar algo. É bom quando alguém dá um sacudida no sistema para sair do lugar.
    Não ter (ou não conhecer) a possibilidade de reclamar sempre esconderam imensas atrocidades na vida, como escravidão, condições trabalhistas, violência doméstica, sexual e psicológica, isso só pra começar o assunto. Conscientização é uma etapa fundamental e espero ter contribuído com um átomo de um grão de areia pra isso. Infelizmente, no caso da criança pequena, fica realmente difícil entender o que ela pode estar querendo (ou precisando) dizer ou mostrar e não consegue.
    Obrigado pelo comentário!

  14. Lucas,
    Gostei muito do trabalho e do texto-objeto escolhido para a análise!
    Concordo com grande parte do que foi colocado, principalmente que a presença dos pais no crescimento de seus filhos é de extrema importância, porém, infelizmente apenas a participação dos pais não impede que as crianças sofram agressões, mas pode evitar o prolongamento desse sofrimento.
    Abraços,
    Cibelle

  15. Cibelle,
    sua opinião também me fez refletir. Fatores tais quais os apontados no texto, como presença ou não dos pais, ambiente familiar, influências externas, jogos e noticiários, além de tantas outras coisas, podem funcionar como tensores, influenciando no equilíbrio de um sistema super delicado, complexo e especial, que é um ser-humano em formação. Ajustando na hora certa o sofrimento ou seu prolongamento podem ser evitados.
    Obrigado. Abraço!

  16. Prezados visitantes,

    terminado o prazo deste debate virtual assíncrono, gostaria de agradecer a todos que tiraram um tempinho para deixar sua opinião e, principalmente, para ler e refletir sobre o assunto, de forma geral, e este ponto de vista analisado, em específico. Ficarei grato se tiver deixado ao menos um quê de dúvida, sugerido o levantamento de hipóteses e questionamentos ou instigado a busca por alguma mudança em pelo menos uma parte das pessoas que por aqui passaram. A riqueza maior do texto que apresentei e da análise que tentei fazer sobre ele é a diferença, o outro lado, o ver e pensar diferente, que parece muitas vezes desconsiderado na maioria dos estudos e opiniões que se vê por aí.
    Na última resposta, quando falei de equilíbrio, me levou a pensar que se forçar demais tanto para um lado quanto para outro acaba arrebentando, e assim é a criação e educação dos filhos. Qual a postura melhor dos pais? Presença demais? Ausência demais? Liberdade demais? Proteção demais? O “segredo” é achar a medida certa. Ou, como disse o pai português que nos presenteou com este texto riquíssimo, “não há segredo; é estar”.
    Deixaram aqui seus comentários professoras, mães, filhos, pensadores… Bom, cada um tendo consciência de seu papel social e familiar, tenho fé em Deus que algo possa mudar. Complementando a última frase do único comentário feito no blog português onde está o texto tomado como objeto, “tudo ao monte e Fé em Deus, Portugal” e Brasil, que juntos e com pé no chão podemos mudar essa situação.

    Obrigado a todos e até a próxima.

    Abraços!

  17. Ok Lucas. Uns pecam por falta e outros por excesso independente do tempo em que possa ocorrer. Abraços,
    Francine Mendes