A polêmica sobre o blog “O mundo precisa de poesia”: uma análise semiótica

Este artigo tem o objetivo de analisar duas notícias sobre o projeto “O mundo precisa de poesia”, da intérprete brasileira Maria Bethânia. Os pressupostos teóricos estão ancorados em algumas categorias do percurso gerativo de sentido da Teoria Semiótica francesa. Espera-se que este trabalho possa contribuir para um quadro de reflexões sobre o blog em geral e, em particular, sobre uma paródia desse blog, que nos remete à  questão do bulling nesse espaço digital.
Autores: Rafael Batista Andrade

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13 thoughts on “A polêmica sobre o blog “O mundo precisa de poesia”: uma análise semiótica

  1. Olá Rafael,

    Parabéns pelo artigo! A linguagem está clara e a análise bem interessante.

    Abraço,
    Ghisene

  2. Rafael, sua análise é polêmica. O jornalista Fred Leal, antissujeito de Maria Bethânia, não simplesmente desqualifica o Saber Fazer da Intérprete; ele mostra que para fazer arte não é necessário um valor tão abusivo. Infelizmente, em nosso país, como em muitos outros lugares, “as pessoas fazem a fama e deitam na cama”. A manifestação contrária ao projeto está mais para a defesa do dinheiro público do que contra a artista e sua capacidade de fazer arte. As diferentes formas de perceber o mesmo acontecimento deixa bem clara a questão da emoção e da paixão no julgamento.

  3. Tenho que descordar! Para o jornalista Fred Leal mostrar que o fazer arte de Bethânia era abusivo, ele teria que apontar obras artísticas com um orçamento menor. Isso não foi efeito. Repito. Ele apela para elementos do “estado de alma” e não apresenta aspectos textuais-discursivos através dos “estados de coisas”. Só mostra que criou um blog em 15 minutos. Ele teve que pagar cineastas, direitos autorais…

  4. Concordo com a parte da análise em que você mostra que a “sanção positiva deve-se ao reconhecimento do Saber Fazer artístico de SM. Ora, não se trata somente de um Saber Fazer um blog, mas sim de um Saber Fazer Arte de forma inovadora e ao mesmo tempo com alcance popular.” Realmente precisamo de mais poesia e como visto aqui mesmo neste evento a internet nos proporciona essa oportunidade de divulgar os trabalhos.
    Em relação a frase “a notícia procura simplesmente relatar um acontecimento” não considero que simplesmente relate.
    A escolha do tema é bem legal, e no espetáculo “Bethânia e as palavras” é ótimo.

  5. É, você tem razão! essa frase precisa ser modalizada. Acho que tentei dizer que a preocupação maior deste gênero é relatar acontecimentos de interesse social. Mas é claro que há outros aspectos importantes na constituição desse gênero. Obrigado pelo comentário.

  6. Olá Rafael,

    Gostei da proposta do tema que envolve blog e poesia. E também da contextualização sobre a semiótica no artigo. 🙂 Eu só senti falta de você explorar mais o bullying no decorrer de sua análise.

    Ah, e se puder, me ajude em uma dúvida. “SM foi sancionada positivamente pela Comissão Nacional de Incentivo à cultura com o valor de R$1.798,600, disponibilizado durante um ano. Essa sanção positiva deve-se ao reconhecimento da modalidade de SM: sabe fazer um blog.” Eu fiquei na dúvida sobre este reconhecimento da modalidade de SM em saber fazer um blog…

    Bjos.

  7. Oi Rafael,

    Adorei sua análise! Concordo com você quando afirma “SM, para realizar a performance de criar o blog “O mundo precisa de poesia” quer entrar em conjunção com aproximadamente R$1,8 milhão. Este dinheiro é o objeto de valor modal para que SM atinja o seu objeto de valor descritivo: o blog.” Que objeto de valor heim?

    Ainda não tinha pensado sobre as formas diferentes que o objeto de valor blog pode ser apresentado para os internautas. Parabéns!

    Abraços,

    Mônica

  8. Rafael, ótimo trabalho o tema realmente é muito interessante. Existem mais notícias que mostrem o desfecho do caso? Você diz que a Bethânia não se manifestou, alguém próximo dela o fez? Seria interessante abordar esses aspectos para caracterizar melhor o bullying. Mas acho que o principal você mostrou: mesmo uma pessoa que consideramos uma sumidade, acima de qualquer suspeita e, portanto, consideraríamos completamente protegida de agressões como o bullying, podem ser sujeitadas a ele. Costumamos pensar: sofreu bullying porque era gordo, ou vesgo, ou fraco, ou pequeno, ou surdo… Mas a pessoa pode ser gorda, ou vesga, ou fraca, ou pequena, ou surda e jamais passar por uma situação assim: as características da pessoa podem indicar caminhos a serem explorados num processo de bullying, mas não determinam que ele vá existir. Muito legal, parabéns.
    Beijos
    Ana

  9. Letícia, a sanção positiva do Ministério da cultura deve-se ao crédito que a intérprete tem por ter condições de fazer um blog artístico. Por exemplo, seu quero gravar um CD e peço auxilio ao MINC, descrevo o que preciso e sei fazer: estúdio, banda, técnicos… no caso da Bethânia esse saber fazer não de um CD, mas de um blog (artístico porque envolve cineasta, sua performance…). Espero ter esclarecido. Bj.

  10. Monica, o blog é um objeto de valor descritivo porque é a “coisa” com que um sujeito quer entrar em conjunção. Funciona como qualquer outro objeto desejado por um sujeito. Por exemplo. Se eu não tenho facbook e quero fazer, ele é o meu objeto descritivo. Já se eu precisar de ajuda para fazê-lo, meus amigos serão o objeto de valor modal para que eu consiga tê-lo.

  11. Anacris, obrigado! Tem sim muitos outros comentários! Na época foi super polêmico. Tentei de tudo para encontrar um ótimo texto do Ferreira Gullar que li na Folha, mas não consegui… é parece que a interferência do saber fazer ultrapassa essas descrições físicas, não? Vejamos, falar a todo momento que alguém é gordo pode provocar…mas será que o bulling realmente não acontece só quando se passa a falar que pelo fato de ele ser gordo ele não sabe fazer…bom, só tentei refletir um pouco….Beijos, Rafael.