Uma Análise Semiótica da Temática bullying em Texto Divulgado em Rede Social

Apresentamos uma análise da narrativa “Aconteceu comigo: bullying”, exposta na rede social Facebook. Com o objetivo de analisarmos contextualmente os envolvidos, pautamo-nos nos níveis do percurso gerativo de sentido – fundamental, narrativo e discursivo –, enfatizando, de acordo com a semiótica francesa, os elementos que mais contribuíram para a construção do sentido do texto.
Autores: Ranielli Santos de Azevedo
Agleice Marques Gama
Francine Mendes

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17 thoughts on “Uma Análise Semiótica da Temática bullying em Texto Divulgado em Rede Social

  1. Girls, eu gostei imensamente do artigo devocês. Parabéns!
    E gostaria de acrescentar uma reflexão preocupante que se reforçou a partir da leitura. Penso a respeito à reação que se espera de um bulizado, ou seja, o que é preciso para que a sociedade o considere um sujeito realizado, não-passivo.
    Há poucos dias eu comentava com uma aluna na pós em tradução sobre o termo bullying e ela me deu umas pistas que quero compartilhar. Então, segundo ela (olha meu discurso relatado), o termo bullying vem da área rural. Um boi cobre uma determinada vaca. Se depois dele outros bois a cobrirem, aquele primeiro boi será chifrado e terá que reagir.
    Ainda segundo esta aluna, a situação gerou dois termos, bullying, anglo-saxão, e “corno”, mais ibérico (na Itália, Portugal, Espanha, e suas excolônias).
    Então, me parece, que o problema aponta para um percurso gerativo em nível fundamental de base, na narrativa social, com a dicotomia: valente vs covarde. O covarde é tradicionalmente disfórico, por tabela, o valente é eufórico.
    Nossa cultura, e já vimos que o discurso se insere culturalmente, com tempo e espaço definidos, vem, paulatinamente, aprendendo a disforizar o valentão. Mas o custo é alto, e exemplos de transformação do sujeito acovardado remetem para uma superação pela Lei de Talião:olho por olho, dente por dente.
    Isso talvez explique por que as cenas entre alunos violentos ocupem tanto espaço na internet.
    Mas queria lembrar que temos visto comportamentos semelhantes como modelo de superação: nas novelas, nas mulheres que são agredidas, verbal e fisicamente. E queria lembrar um espaço “ideal” da prática do bullying: a área militar.
    Ou seja, parece que minha aluna tem razão: vem mesmo do comportamento do boi, ou seja, é um comportamernto animal.
    Bjs

  2. Marisa, refletindo sobre o seu comentário, é preciso lembrar que especialmente no seio de sociedades “machistas” como a nossa, é difícil até mesmo considerar as vítimas do bullying como vítimas de fato: o senso comum tendeu até agora para considerar essas vítimas como sujeitos que de alguma forma “merecem” as agressões… triste, não? Mas, como você disse, os percursos, estão, paulatinamente, sendo ressignificados.
    Abraço da Ana Bovo

  3. Ana, parece um fio de Ariadne no labirinto do Minotauro. Felizmente a segunda metade do século XX avançou dando um salto da Idade Média tardia em que nos encontrávamos. Não dá pra soltar rojões, mas tanta coisa vem sendo ressiginificada, como você apontou. Se considerarmos desde um ponto de vista temporal, é tudo muito recente.
    Olha só: temos o voto feminino, o direito ao divórcio, a educação laica, o trabalho feminino, o direito a creches, o casamento homoafetivo, o respeito às deficiências etc etc. É tudo muito novo, sobre práticas milenares.
    O termo bullying é um nome novo para uma prática antiga. O que no assusta agora é o alcance e daí que vejo a discussão sobre o ciberbullying pra lá de urgente.
    Temos que discutir sim, tanto o bullying como seu primo mais velho, o preconceito. O interessante é o modelo estrutural que a semiótica francesa nos municia. Estou gostando muito por ter escolhido essa disciplina.
    Acho que todos sairemos modificados depois deste curso.
    Bj
    Marisa

  4. Meninas, seu trabalho é muito interessante e bem feito. Em termos do tema deste evento, o que me chamou mais a atenção é para o quanto sua análise trouxe à tona a problemática do agressor, o quanto seu aparente excesso de poder é, na verdade, uma insuficiência da qual ele procura se esconder e o quanto a sociedade, no caso a escola, no lugar de resolver o problema, simplesmente passa adiante, como quem varre a sujeiroa para baixo do tapete. Muito importante esse aspecto do bullying.
    Beijos
    Ana

  5. Ótimo constatar que o nosso trabalho está proporcionando tão boa discussão.
    Marisa, interessante a origem do termo bullying. De fato, o bullying parece uma prática irracional. Até difícil entender como tais ações partem de cabeças consideradas pensantes.

    Sobre a “Lei de Talião: olho por olho, dente por dente”, no texto que estamos analisando isso não acontece porque o sujeito Michel tenta defender-se sem agir do mesmo modo com Tião,seu anti-sujeito. E o Rafael recorre às autoridades da escola para solucionar o problema. Claro, esse é um texto no qual o enunciador tenta manipular seus enunciatários a reagirem ao bullying de maneira politicamente correta.
    Entretando, quando a Marisa cita a “Lei do Talião” é para falar de uma tendência cultural em nossa sociedade. Vejo isso claramente nas telenovelas. Hoje, é bastante comum os vilões terem a simpatia e a torcida do público, enquanto que os “mocinhos bonzinhos” e politicamente corretos parecem chatos, não reagem com o “olho por olho”, precisando sofrer até o fim da história para solucionar o problema sem “desvio de conduta”. É incrível como os valores podem mudar dentro de uma cultura!

    Até!

  6. Meninas,
    Parabéns pelo trabalho! Vocês fizeram uma discussão bem consistente. Infelizmente, casos como o do Michel não são incomuns nas instituições escolares.

    Percebo, na realidade em que atuo, que os atos de bullying significam uma forma de refúgio, pois o sujeito não pode ser tocado ou revelar os seus medos e anseios.As vezes a realidade é tão dura que é normal para a criança agredir verbalmente ou fisicamente.
    Embora discorde das atitudes,preciso entendê-las para intervir. O porquê é muito importante e o que vemos, como foi no caso relatado, é que as instituições acabam empurrando o problema. Realmente, esse aspecto do bullying merece atenção, como mencionou a Ana.
    Beijos,
    Ghisene

  7. Muito bom o trabalho, É interesante quando se estuda mais profundamente este caso que para muitos é rotina, para os que são vítimas e para os que são autores do bullyng. O que acontece também é que algumas vítimas, por falta de forças e pressão psicológica se transformam em seres condicionados desta prática que enfade, além das redes sociais, a sala de aula e os lares.É papel de cada um, identificar e tentar intervir num caso como este!

  8. Olá, Pessoal,
    A discussão está ótima e com muito “pano pra manga”.
    A reação de um sujeito que sofre o bullying não pode ser igual ao do “bulizador” (termo da colega Mariza), pois assim se repete, automaticamente e não racionalmente, a atitude animalesca da violência.
    Concordo com Ana ao dizer que “a problemática do agressor, o quanto seu aparente excesso de poder é, na verdade, uma insuficiência da qual ele procura se esconder e o quanto a sociedade, no caso a escola, no lugar de resolver o problema, simplesmente passa adiante, como quem varre a sujeira para baixo do tapete”. Essa atitude que o texto mostra e que já fora praticada também por outras escolas pelas quais “Tião” passou não resolve o problema, apenas o transfere e o aumenta.
    Bjs.
    Agleice

  9. Pessoal,
    Conforme já mencionei em comentário ao trabalho de outro grupo, o bullying é um problema a ser discutido e analisado por profissionais de várias áreas do conhecimento e que levem em consideração os outros que, de algum modo, também estão envolvidos. Bullying é um problema social. A reação a ele por meio da violência não pode ser vista como um ato heroico, mas como um outro problema que advém dele e que também deve ser considerado nas discussões.
    O bullying não se restringe a quem pratica e a quem sofre, há outros envolvidos e este texto mostra isso: há os que incentivam a continuação (a turma da bagunça), há os que incentivam a reação (Rafael), muitas vezes até violenta, há os que veem e fingem-se de cegos e surdos principalmente por medo (outros colegas de classe), há os que apenas passam o problema adiante pensando que o estão resolvendo ou apenas para simplesmente se livrar dele no momento (Diretora).
    O problema é complexo e merece ampla discussão para que se evite mal-entendido e sensacionalismo, como mostra o texto “Um estudo semiótico num suposto caso de bullying envolvendo aluna surda”, analisado pelas colegas Maria do Carmo e Letícia.
    Bjs.
    Agleice

  10. Parabéns, meninas! O texto ficou muito bem escrito. O que me chama a atenção é o fato do Michel ter conseguido se livrar do seu problema, mas não necessariamente a escola. Ao transferir o aluno, na verdade, o problema é jogado para outros. A sociedade continua em disjunção com o bullying. Ainda não sabemos como agir.

  11. Olá, meninas, lendo o texto e percebendo que o antissujeito ocupa os diferentes espaços com o mesmo objetivo, me lembrei de Greimas, em “Du sens II”, quando ele fala que a relação do sujeito com o valor antecede e comanda sua relação com o objeto. (depois eu cito a página, pq não tenho o livro aqui agora). De forma que, o antissujeito Tião, antes mesmo de eleger Michel como objeto, já tinha para si o valor “violência”. O objeto para ele naquele espaço, então, não é só o Michel, mas o “sofrimento de Michel”, alcançado por suas ações. Isso me fez pensar se o objeto de Michel não é a liberdade, muito mais que a identidade, que ele perde com a chegada com segundo sujeito (ele era um sujeito realizado).
    Será que as autoridades da escola são “objetos modalizadores do antissujeito Tião” ou destinadores que atribuem a sanção negativa no final?
    Gostei muito da consideração final sobre Tião. Até que ponto as várias mudanças de escolas vão resolver ou piorar seu problema, não é? A escola aparece apenas como aquela “que elimina o problema” e não dá conta de resolvê-lo, o que é uma importante reflexão para os educadores.
    Abrs,
    Dani

  12. Muito bom o trabalho e a discussão proporcionada. Ao ler o texto fiquei pensando o que foi posto pela Acris, mais um caso de bullying que não foi resolvido, mas transferido. O Tião, o agressor, repetia com Michel o que já havia feito com vários e repetiria em outras escolas. E o faz, provavelmente, em busca de respeito. lembrando que é comum alunos repetentes sofrerem bullying nas escolas. Para resolver ou minimizar o problema, a longo prazo, discutir as diferenças e os processos que as formam parece ser a solução. Afinal, todos somos diferentes e as identidades são o reflexo dessas diferenças. Mas e a curto prazo? O que podemos fazer? Chamar a atenção dos alunos e chamá-los à reflexão, tal como fez o autor do texto analisado, é uma excelente ideia.

  13. Observando atentamente o posicionamento de vocês fico a pensar se a solução para o bullying estaria na reação das vítimas ou na transformação do agressor.
    Como educadora penso que, de um modo geral, devo motivar as duas coisas.Considero importante a força para reagir e mudar, mas,fica muito evidente que também o agressor é alguém em disjunção com alguma coisa, por muitas vezes dolorida e escondida à sete chaves.
    Em sala de aula podemos tentar manipular nossos alunos, seja por intimidação, tentação, sedução ou provocação. Mas, o fato é que ainda não encontramos a fórmula mágica para solucionar o problema, porque, tanto o bulizado quando o bulizador são caixinhas de surpresa, únicas. Será que como profissionais da educação temos condições e disposição para abrir cada uma delas?

  14. Colegas,

    As reflexões proporcionadas sobre “bullying” são inúmeras, inobstante a complexidade do tema. Interessante a origem do nome associada ao comportamento animal, o que nos chama à humildade de reconhecermos que somos movidos muito mais pelo instinto, enquanto seres humanos – daí, o progresso da humanidade encontrar-se em patamar distante da razão.

    Conforme já mencionado, “bullying” é objeto de atenção de profissionais de várias áreas e, se estamos distantes de fixar parâmetros objetivos, pelo menos já se reconhece o sofrimento implícito para as vítimas. Agora, é mesmo verdade que tais sofrimentos chegam a ser considerados “merecidos”, como se as diferenças não existissem, como se houvesse a obrigação de ser perfeito – um paradoxo dado que a imperfeição é implícita à natureza humana.

    Acredito que, além de nos propormos à discussão e reflexão permanente sobre os processos que desencadeiam o “bullying”, uma atitude concreta seria buscar a reparação pela via judicial, como fazem as vítimas de preconceito racial e, mais recentemente, vêm fazendo as vítimas de assédio moral e sexual. De maneira que os contornos vão se delineando gradativa e paulatinamente.

    Parabéns aos autores pela excelente análise do texto escolhido.

    Abraço cordial,

    Andréa Marques de Azevedo.

  15. Olá pessoal,
    Realmente este tema é merecedor de sérias discussões, afinal de contas são tantas as incógnitas que o precedem… A teoria estudada nos auxiliou bastante em relação as interpretações realizadas, observamos que os sujeitos envolvidos no bullying, seja a vítima ou o agressor, são várias as possibilidades de tentar justificar suas atitudes, podemos acompanhar este processo em várias reportagens de tv ou de jornais. O ponto de vista dos sujeitos envolvidos podem ao mesmo tempo revelar ou simular realidades nas narrações e é de imprecindivel relevância o “sair do texto”. Com certeza estas discussões nos farão aprimorar nossa análise e aprofundar nosso estudo. Abraços.
    Francine Mendes

  16. Olá colegas!

    Como educadores, são muitas as inquietações que nos levam a buscar respostas e soluções para os casos de bullying. Como pontuou Ranielli, o que seria correto? Estimular a reação do agredido e a mudança do agressor? Também acho que as duas coisas devem acontecer. Mesmo sabendo que reagir é aderir ao quadro de valores do agressor. Mas para que as ações sejam eficientes, precisamos de um trabalho direcionado aos envolvidos, com apoio psicológico e pedagógico que nunca existe. Nem na universidade isso é comum. Me lembro que na graduação, aqui na FALE, um professor que eu não vou citar o nome odiava um aluno. Parece que por preconceito puro. Quando o tal aluno saía da sala, o prof falava mal dele pelas costas, comentários preconceituosos e sexistas, um horror. E os comentários nunca chegavam aos ouvidos do aluno até o final do semestre quando os colegas lhe contaram. A solução foi buscar a coordenação que botou panos quentes na história rapidinho e o aluno não recebeu nem um pedido de desculpas e teve que engolir uma nota C, bem abaixo da média da turma, sob a desculpa de que deveria relevar a situação tendo em vista que a esposa do prof horroroso estava doente e ele se encontrava fragilizado. Pode? Enfim, o que fazer?

    Abraços,

    Carlos.

  17. Parabéns ao grupo!!
    A análise ficou muito clara e completa.
    Esse é o caso clássico de bullying, que acontece diariamente em várias escolas e instituições em geral.
    Triste saber que o problema foi apenas transferido para um próximo “Michel”.
    Muito interessante também a história da origem do termo bullying relatada pela Marisa!!!