CASO CASEY HAYNES: uma abordagem semiótica do bullying na atualidade

O objetivo deste trabalho é refletir sobre o bullying na contemporaneidade a partir de uma análise semiótica (greimasiana) de um texto extraído da Revista Nova Escola, que aborda o caso Casey Heynes. Tais reflexões, por sua vez, têm como propósito entender o papel do sujeito nessa narrativa e sua relação com o objeto. Desse modo, acreditamos ser possível melhor entender essa abordagem acerca do bullying, tema recorrente na atualidade.
Autores: Carlos Castro
Ghisene Santos Alecrim Gonçalves
Ester Junia da Silva
Elisângela Rodrigues Andrade Vieira Helal

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20 thoughts on “CASO CASEY HAYNES: uma abordagem semiótica do bullying na atualidade

  1. De fato, o texto da revista Nova Escola pega exatamente a questão mais complicada do bullying: é senso comum que, para vencer o ataque bullying, devemos atacar de volta. Mas este e outros estudos, inclusive nesse nosso evento, mostram que isso é uma faca de dois gumes: atacar é aceitar o quadro de valores que sustenta as ações do bullying e, portanto, acaba por reforçá-las no lugar de combatê-las. Ótimo trabalho! bjs Ana

  2. E, sem querer, muitas vezes nos “pegamos” torcendo para que o agredido dê um soco muito bem dado no(s) agressore(s)!!! O que, aliás, aconteceu no video analisado e transformou o “menino que reagiu” em herói. Entretanto, é justamente por isso que é tão importante analisarmos e refletirmos sobre o assunto: para entendermos e elaborarmos possibilidades de reação e superação que invertam o quadro de valores gerador dessas situações. Parabéns para o grupo! Abraço da Ana Bovo

  3. Pessoal, parabéns. Texto claro e objetivo. Parece que estamos vendo um remake de O médico e o monstro. No caso Heynes (e tantos outros na internet), temos a impressão de que o médico (a mídia) está gerando um monstro (a publicização).
    As pesquisadores cf. revista Nova Escola estão cobertas de razão, de nada adianta reagir, se essa reação tambérm vem em forma de violência (a bíblica lei de Talião).
    O interessante em nossa disciplina é mostrar o quanto esse tema do bullying carece de uma perspectiva multidisciplinar: jurídica, psicológica e também nosso grãozinho de areia, a semiótica.
    Parabéns de novo.
    Bj
    Marisa

  4. Marisa, a sua comparação do caso Heynes com a obra “O médico e o monstro” é muito pertinente. Para se realizar, o garoto, que sempre foi tranquilo e até mesmo submisso às situações desconfortáveis que vivenciava, infelizmente, “necessitou” se tornar agressivo. O mais estranho em tudo isso foi a enorme aceitação social. Muitos que se sentiam na mesma situação do garoto passaram a percebê-lo como herói, gostariam de ter agido da mesma maneira. O que dificulta na busca de soluções para o bullying, já que violência não é o caminho para a resolução de conflitos.

  5. então, no fundo parece aquela disputa da civilização vs barbárie. Vai depender de qual deles leva a dianteira. O incrível é que condenamos o bulizador por ser agressivo e parabenizamos a vítima quando reage agressivamente. Que paradoxo, não? Foi bem escolhido o trabalho da Revista Nova Escola que critica a heroinização no Caso Heynes.
    Bj
    Marisa

  6. Olá, pessoal, estou gostando muito das análises. Não conhecia esse texto, que dialoga com o vídeo analisado pelo meu grupo.
    Quanto à análise, percebi que faltou mais a presença do destinador, que, num primeiro nível, é a Nova Escola, e, em última instância, é a sociedade, ora em concordância, ora em discordância. Quando vcs dizem:
    “Ao mesmo tempo, ele [Heynes] pode ser considerado o S2, pois a partir da agressão houve uma transformação de sujeito fraco e vitimizado pelo bullying (O1) a sujeito que age e se defende, ou seja, torna-se herói”.
    Quem faz essa transformação de estado, penso, não é Heynes, mas a sociedade como destinadora transcendente, aquela que acredita em valores como: justiça aos mais fracos, por exemplo. Nesse sentido, a Nova Escola, até se opõe, em um momento, à sociedade, quando questiona se de fato há aí um herói. Acho importante ressaltar esse jogo de manipulações.
    Em outro momento, vcs falam de conjunção de S1 com os entrevistadores:
    “Partindo da perspectiva dos meninos entrevistados (S1), podemos perceber que eles se encontram em disjunção com os entrevistadores. Porém, os entrevistadores podem ser considerados como o S2 se entendermos que eles provocaram uma transformação dos entrevistados que eram os manipuladores na escola.”
    Isso só poderia ocorrer se os entrevistadores fossem objeto valor para S1. Parece-me que aí é mais um caso de não adesão aos valores do outro sujeito, já que se trata de relação entre sujeitos. Além disso, se S2 é sujeito de estado, ele não pode provocar transformação, papel do sujeito de fazer. Seria o caso de sujeito sincrético? Aquele que é ora sujeito de estado, ora de fazer?
    Para concluir, gostei dessa ideia da sociedade como aquela que deseja o objeto “livrar-se do bullying”. E não é ela também a responsável pela existência dele?
    Abrs,
    Dani

  7. Olá, Daniervelin, obrigada pelas considerações. Mesmo que você considere a sociedade como responsável pela transformação de estado, Heynes continua sendo o sujeito de transformação, pois sua ação desencadeou a mudança de estado e as discussões. A sociedade faz a sanção dos acontecimentos.
    Abraço, Elisângela

  8. Olá,
    Importantíssimo explorar a sociedade como sujeito em disjunção com as respostas para o problema bullying, que finda sendo seu anti-objeto. Bom saber que a semiótica nos proporciona ferramentas nos direcionam para uma leitura crítica do assunto.
    O caso é que nessas histórias as vítimas de bullying são a figura central, o protagonista que sofre, sofre, mas que no fim reage também por meio da violência e se torna herói. Herói, hoje em dia, tem que ser visto como alguém inteligente, que lida com esse problema sem fazer uso da força física e que conta com a ajuda de pessoas esclarecidas sobre o assunto. Entendo que a sociedade deve olhar o fato como um todo, como vocês bem disseram: “no quadro de valores sociais e culturais no qual se insere a situação em que a emoção é percebida”.
    É o sujeito de estado que sofre as paixões e que deseja imensamente sua conjunção com o objeto descritivo (aceitação dos colegas), o qual para ser alcançado perpassa por um objeto modal (livrar-se do bullying). O que não se pode aceitar e se julgar como ato de heroísmo é o alcance desse objeto por meio da violência.
    Devo dizer que fiquei sem entender a parte sobre a conjunção de S1 com os entrevistadores.
    Parabéns, Pessoal!!
    Abçs,
    Agleice

  9. Oi Agleice,

    É isso mesmo!A violência não pode ser vista como elemento positivo e, nem muito menos o sujeito que reage, como Heynes, ser considerado como herói.
    Quanto à dúvida, é importante dizer que há entre S1 e os entrevistadores a disjunção. No artigo colocamos que “Partindo da perspectiva dos meninos entrevistados (S1), podemos perceber que eles se encontram em disjunção com os entrevistadores.
    Beijos e obrigada,
    Ghisene

  10. Olá Meninas!
    Muito bacana a proposta do trabalho.
    E vocês trazem para o debate esse lugar do destinatário da mídia e da revistas especializadas no caso a Nova Escola. E seus desdobramentos. Muito bom!
    Esse texto realmente dá pano pra manga….

    Sobre o trabalho , como vocês mostraram, estamos diante de um caso 2 em 1, ou seja, da abordagem do caso Casey Heynes em si e da entrevista com a opinião de pesquisadores á Revista Nova Escola.

    Como nosso grupo analisou o vídeo do caso Heynes fiquei pensando se podemos realmente afirmar que havia disjunção do sujeito agredido com o objeto “aceitação” e do mesmo modo se o sujeito Haynes desejava essa conjunção com o objeto Aceitação. Isso não esta lá no vídeo, não podemos provar.

    O ser aceito ou não pode ser um evento que faça parte de um modo geral do fenômeno “bullying”, mas penso que não podemos afirmar que isso está lá no texto, nestes textos em especifico. “Como diz a Ana Matte “Fora do texto não ha salvação” .
    Pelo texto de vocês fiquei pensando na possibilidade de privilegiar o ser “vitima” e ser “herói” . Como sempre nos lembra a Ana Matte :Fora do texto não ha salvação.

    Abração,
    Bel

  11. Olá Meninas!
    Muito bacana a proposta do trabalho!
    E vocês trazem para o debate esse lugar do destinatário da mídia e da revistas especializadas no caso a Nova Escola. E seus desdobramentos. Muito bom!
    Esse texto realmente dá pano pra manga….

    Sobre o trabalho , como vocês mostraram, estamos diante de um caso 2 em 1, ou seja, da abordagem do caso Casey Heynes em si e da entrevista com a opinião de pesquisadores á Revista Nova Escola.

    Como nosso grupo analisou o vídeo do caso Heynes fiquei pensando se podemos realmente afirmar que havia disjunção do sujeito agredido com o objeto “aceitação” e do mesmo modo se o sujeito Haynes desejava essa conjunção com o objeto Aceitação. Isso não esta lá no vídeo, não podemos provar.

    O ser aceito ou não pode ser um evento que faça parte de um modo geral do fenômeno “bullying”, mas penso que não podemos afirmar que isso está lá no texto, nestes textos em especifico. “Como diz a Ana Matte “Fora do texto não ha salvação” .
    Pelo texto de vocês fiquei pensando na possibilidade de privilegiar o ser “vitima” e ser “herói” tendo a vilência como objeto. Como sempre nos lembra a Ana Matte :Fora do texto não ha salvação.

    Abração,
    Bel

  12. Olá Meninas!
    Muito bacana a proposta do trabalho!
    E vocês trazem para o debate esse lugar do destinatário da mídia e da revistas especializadas no caso a Nova Escola. E seus desdobramentos. Muito bom!
    Esse texto realmente dá pano pra manga….

    Sobre o trabalho , como vocês mostraram, estamos diante de um caso 2 em 1, ou seja, da abordagem do caso Casey Heynes em si e da entrevista com a opinião de pesquisadores á Revista Nova Escola.

    Como nosso grupo analisou o vídeo do caso Heynes fiquei pensando se podemos realmente afirmar que havia disjunção do sujeito agredido com o objeto “aceitação” e do mesmo modo se o sujeito Haynes desejava essa conjunção com o objeto Aceitação. Isso não esta lá no vídeo, não podemos provar.

    O ser aceito ou não pode ser um evento que faça parte de um modo geral do fenômeno “bullying”, mas penso que não podemos afirmar que isso está lá no texto, nestes textos em especifico. “Como diz a Ana Matte “Fora do texto não ha salvação” .
    Pelo texto de vocês fiquei pensando na possibilidade de privilegiar o ser “vitima” e ser “herói” tendo a violência como objeto. Como sempre nos lembra a Ana Matte :Fora do texto não ha salvação.

    Abração,
    Bel

  13. Olá a todos!

    Agradecemos a participação e comentários. Sobre os comentários acerca do fato de Heynes ter sido considerado herói por ter atacado seus agressores, esclarecemos que o grupo não apoia tal atitude ou quaisquer outras que reforcem o quadro de valores que levou o que possam levar ao bullying. Mas como posto no artigo, algumas pessoas se identificam com tal posicionamento o que pode ter contribuído para o sucesso do vídeo. Pontuamos no texto que outro (s) leitor(es) pode (m) ter paixões “que move os sujeitos a uma imagem-fim que destoa de atos como os de Heynes.” (CASTRO et all., 2011, p. 7). Só esclarecendo, ok!?

    Sobre o caso analisado, o foco do grupo foi o texto da Nova Escola, anexo ao fim do artigo. A escolha de comentar outras linhas de tempo que antecederam os questionamentos da Nova Escola se deu para contextualizar o texto analisado pelo artigo.

    Estamos muito contente com o diálogo proporcionado.

  14. Eu gostaria de comentar o posicionamento da Daniervelin que pontuo o seguinte:

    “’Ao mesmo tempo, ele [Heynes] pode ser considerado o S2, pois a partir da agressão houve uma transformação de sujeito fraco e vitimizado pelo bullying (O1) a sujeito que age e se defende, ou seja, torna-se herói’
    .
    Quem faz essa transformação de estado, penso, não é Heynes, mas a sociedade como destinadora transcendente, aquela que acredita em valores como: justiça aos mais fracos, por exemplo. Nesse sentido, a Nova Escola, até se opõe, em um momento, à sociedade, quando questiona se de fato há aí um herói. Acho importante ressaltar esse jogo de manipulações.”

    Sobre isso, achei uma ótima colocação, pois nos ver refletir a respeito e, quem sabe, podemos melhorar o texto. Penso que poderíamos ter deixado claro sob qual ponto de vista Heynes é S2. Se consideramos que ele era a vítima, age e se sente um herói, aí sim ele é S2. Já se considerarmos que a sociedade o aclama como herói, aí sim o posicionamento da Daniervelin é correto. E, por fim, se a sociedade vê o ato violento como atestado de fraqueza do vitimizado pelo bullying, não temos alguma transformação e, claro, não temos S2. Concordam comigo? Se Daniervelin puder retornar e comentar, será ótimo. Caso editemos e consigamos postar nova versão do texto vou conversar com as co-autoras e deixar isso mais claro no artigo.

    Obrigado à Daniervelin e à sua leitura atenta.

  15. Olá, pessoal, comentando e esclarecendo meu ponto de vista:

    A Elisângela diz: “Mesmo que você considere a sociedade como responsável pela transformação de estado, Heynes continua sendo o sujeito de transformação, pois sua ação desencadeou a mudança de estado e as discussões. A sociedade faz a sanção dos acontecimentos.”

    A ideia é, penso, que Heynes faz a transformação no nível narrativo: agride seu agressor. A sociedade apresenta Heynes como um herói, porque se vingou. Ou seja, a sociedade é a destinadora dos valores. Na fase de manipulação, ela dita o que Heynes “deve fazer” para ser reconhecido pelo grupo (representante dos seus valores). A ação dele (sujeito de fazer) é então avaliada ou sancionada positivamente. De onde vem essa ideia de que valente é aquele que bate e não se deixa apanhar? Isso é formação ideológica que se manifesta nos discursos, não? A Nova Escola questiona isso, mas não sei se chega a antidestinadora, tem que analisar o texto como um todo…

    Carlos, acho que Heynes é sujeito de fazer e sujeito de estado. Antes da ação ele era um sujeito de estado em conjunção com sua identidade. Ao agredir o outro (passa a sujeito de fazer), ele adere aos valores do destinador, que no vídeo está representado pelo grupo e, especificamente, o agressor (aqueles que, como disse, representam uma sociedade favorável à violência, à vingança). Ele se torna então, narrativamente falando, sujeito de estado em disjunção com sua identidade, porque agora ele se igualou ao outro, o agressor.
    Sujeito de estado sempre existe, antes e depois da transformação. O que ocorre é que, nessa transformação, ele perde ou ganha um objeto. E por trás dos valores sempre há um destinador, que manipula os sujeitos para agir de acordo com eles, os valores eleitos.
    Não acho que essa organização narrativa precisa aparecer na análise de vcs, porque o objeto é outro, na linha do tempo que vcs definiram, mas pode ajudar a entender os percursos que estão pressupostos no discurso da Nova Escola.
    Bom, não sei se concordam com essa minha leitura. Estou disponível e empolgada para continuar a discussão!

    Abrs,
    Dani

    • Dani,

      Vc pontuou que “…Heynes é sujeito de fazer e sujeito de estado” e é justamente isso que colocamos no nosso texto. Mas acho que nosso texto está muito técnico e em alguns pontos podem ser mais claros. Como vc tb colocou, esclarecer o objeto para a linha de tempo tratada no artigo “… pode ajudar a entender os percursos que estão pressupostos no discurso da Nova Escola “. É o que tentaremos fazer.

      Nós, que somos iniciantes em semiótica, agradecemos muito as reflexões de todos que representaram melhorias significativas para o nosso trabalho. Valeu mesmo.

      Bjs,

      Carlos.

  16. Obrigada pela participação, Ana.
    O objeto de análise também chamou nossa atenção nesse aspecto e também por possibilitar uma reflexão sobre o assunto.

    Abraço,
    Ester.

  17. Obrigada, Ana Bovo. É realmente interessante pensar nesse ponto. É um troca de valores e podemos ver isso claramente se pensarmos na grande divulgação do vídeo na internet.

    Abraço,
    Ester.

  18. Num trabalho de encerramento publicado pela Ana neste evento, ela afirma que “o agressor é duplamente vencedor: ele vence porque convence a vítima de que deveria defender-se, e vence também porque, nos casos bem sucedidos, a vítima é incapaz de defender-se”. Esse comentário fez lembrar o Heynes. Ainda que tenha sido considerado um herói, ele continua sendo uma vítima da violência. Apanhando ou batendo, o bullying continua sendo o vencedor.

  19. Pessoal, ótimo trabalho, parabéns!!
    Muito interessante a análise sobre esse video que foi tão divulgado e comentado!
    Tive a oportunidade de acompanhar a apresentação de vocês e gostei bastante também!
    Abraços,
    Cibelle