Se o ensino a distância não exige a instalação de programas, que tipo de relação pode existir entre software livre e EAD?

Mesa redonda de encerramento com palestrantes convidados pela Comissão Organizadora.

Todo site é feito com algum tipo de linguagem de programação, vale dizer que pode existir, por trás de cada site, um programa rodando. E como qualquer programa, pode ser livre ou proprietário, pra ficar só nessa oposição. Mas se o programa está disponível online, então importa se é livre ou não? O uso de softwares livres na educação tem algum aspecto educacional?
Nossos convidados especiais expõem aqui suas ideias a respeito, sem pretender esgotar o assunto mas trazendo algumas luzes e questionamentos que valem a pena discutir, junte-se a nós!

Autores: Ana Cristina Fricke Matte: acris em textolivre.org
Tania Lucia Maddalena: tlmaddalena em gmail.com
Frederico Guimarães <frederico em teia.bio.br>
Wilkens Lenon Silva de Andrade: wlenon em gmail.com

Leia o ARTIGO COMPLETO aqui

10 thoughts on “Se o ensino a distância não exige a instalação de programas, que tipo de relação pode existir entre software livre e EAD?

  1. Sábias palavras do Wilkens Lenon, parceiro aqui da UEPB, a liberdade de executar um software livre em qualquer máquina, com qualquer propósito em qualquer canto é excepcional, sem ter que se preocupar com a temida LICENÇA DE USO, podendo configurar o mesmo ao seu gosto. Mas sou a favor de uma vertente do “lado negro”, o(s) criador(es) do software livre, deve(m) distribuir em domínio público o software livre, junto com o seu código aberto, para outros co-autores modificarem e aperfeiçoarem o software. Mas os criadores iniciais, aqueles que tiverem a ideia, colocaram no papel, implementaram, testaram e compilaram, estes deveriam não só ter o seu trabalho reconhecido, mas também deveriam ter seu trabalho e esforço remunerados de alguma forma que lhes convém.

    No futebol, se não estou enganado, aqui no Brasil, os clubes que revelam os jogadores, tem direito a uma pequena parte em futuras transferências do mesmo jogador. Eu venho dar essa ideia, que os criadores iniciais do software venham a ser remunerados e após isto, distribuam o conhecimento, o software livre, com o seu código aberto.

  2. O convidado Wilkens pontua muito bem sobre liberdade de conhecimento, premissa dos softwares livres que encontra eco nos objetivos da educação. Sobre ter ou não programas livres instalados nas máquinas do aluno de EaD, o convidado Frederico Guimarães esclarece que a programação de um curso na web exige instalação de softwares diversos. Somado a isso, temos o fato de que um bom curso a distância lança mão de objetos de aprendizagem diversos e mídias que exigem a instalação de softwares, ou no mínimo um navegador compatível. Portanto, a ligação entre software livre e educação, no que se refere à construção de conhecimentos e à presença de programas desse tipo como mediador da aprendizagem, não pode ser negada.

  3. Como disse bem o Frederico, é uma pergunta que parte de um princípipo equivocado, mas devemos pensar: qual usuário de internet sabe que aquilo que roda em seu navegador é, na maioria das vezes, não só descrições de tela em html mas programas executando comandos muitas vezes complexos?
    Explico: uma página pode ser apenas uma receitinha: coloque um desenho aqui, um link ali, um texto puro acolá e, mais adiante, um texto com uma formatação diferenciada…
    Páginas em html são isso, descrições do que nosso navegador vai mostrar. E o navegador apenas interpreta e executa essas informações.
    Mas basta que você faça login e pimba! não é mais só descrição. Um login exige um processo mais complexo de consulta a banco de dados para conferir se o usuário e senha estão cadastrados no site. Trata-se já de um programa rodando por trás da página que você vê. Páginas de lojas, de bancos e até de sites pronográficos espalhando víorus por aí: programas de computador. Como assim, não preciso instalar nada!
    Não não precisa. Acontece que esse mundo que muitos chamam de virtual não tem nada de virutal: qualquer página qualquer site é um conjunto de arquivos e instruções salvos numa máquina – um computador chamado servidor – que está em algum lugar muito concreto, nem mesmo a tal “computação nas nuvens” foge disso.
    Não está instalado em sua máquina, mas está instalado em um outro computador. E vai rodar. E foi por isso que falei dos programas maliciosos de sites pornográficos – e outros -. Se não é código abert, se não é livre, quem vai saber o que está rodando na sua máquina quando você abre aquela página? Cadê a segurança se ninguém pode dizer o que está acontecendo?
    Me faz lembrar as casas de altos muros, fechadas, escondidas, onde os piores crimes podem acontecer sem que ninguém perceba… Segurança? Liberdade?
    Para mim, usar software livre é assumir que a sociedade não é perfeita, que existem pessoas de má fé, que eu posso ser ludibriada em qualquer lugar e a qualquer momento, mas que, se eu estiver num lugar público e todos puderem ver o que está acontecendo comigo, é muito mais difícil passar um golpe encima de mim, sempre vai ter alguém pra questionar. E saber, por outro lado, que existem, sim, pessoas olhando por cima dos muros, pessoas que se importam.
    Problemas sociais não te afetam? Faz muitos anos que analistas do texto e do discurso espalhados por este planetinha já concluíram que não existe manifestação sem opinião: se você fica encima do muro, esta é sua posição: a de deixar que outros decidam por você.
    Como educador, não posso ficar ecnima do muro. Se dou aula online, eu não posso sonhar que a única coisa que importa são os resultados que a ementa previu. O dia que eu for processada por um aluno cujos dados foram roubados por um programa malicioso escondido no site gratuito que usei para minhas aulas, um aluno, um só, vai justificar toda e qualquer preocupação a este respeito.

    Agora, deixando um pouco a postura-palanque de lado e retomando a minha preferida, de pensador de roda de amigos, este semestre mesmo um dos participantes deste evento veio questionar haver um campo chamado cpf no formulário de inscrição. Se não vamos usar, porque guardar essa informação? Se fosse um software proprietario, eu teria que requisitar à empresa responsável que retirasse de lá o campo ou criasse uma opção para que eu pudesse retirá-la, o que provavelmente só sairia na próxima edição do programa ou, com algum custo, em alguns dias, nunca nos poucos minutos que levamos para localizar o campo no códio aberto e retirar de lá a opção… Mérito do programador que se dispôs a resolver o problema, mérito da pessoa que reclamou: e todos viveram felizes para sempre 😀
    Liberdade é um direito. Isso significa que, como qualquer direito, deve ser exercido: não cai do céu.

  4. As opiniões mostradas no artigo deixa bem claro o uso de algum software para o desenvolvimento de sites e logo o desenvolvimento de algum site para o EAD. A maioria dos alunos não sabem que por “trás da tela” está rodando algum programa e no caso pagando por um programa. O uso de softwares livres é uma oportunidade para os desenvolvedores melhorarem a navegabilidade do ambiente escolares e com isso trazer uma melhoria no ensino.

  5. O artigo está excelente, as opiniões claras, muito bem escrito e estruturado. Acredito que com a tecnologia dos dias atuais o EAD se uniu ao software livre deixando o curso a distância mais fácil e eficaz. Sendo assim, o software livre trás grandes vantagens para os estudantes e melhoria não apenas no ensino,com também no aprendizado.

  6. Gostei bastante de saber que as restrições existentes quando usamos um AVA proprietário não existem quando esse AVA é um software livre. Prova disso é o exemplo dado pela acris. Liberdade é um direito que deve ser exercido já, e não na próxima edição do programa ou em alguns dias. “A vida é urgente”, como diria uma amiga minha.

  7. Ficou bastante clara a conexão entre a educação e o software livre, tendo em vista a necessidade de aplicativos como mediadores da aprendizagem. Além disso, a liberdade que constitui (ou deveria constituir…) um dos pilares da educação é amplamente encontrada no software livre, além da qualidade que também não pode ser esquecida.

  8. Ótima abordagem feita pela Ana Cristina (acris)!!!
    O software livre proporciona liberdade, autonomia e resolução/solução rápida de problemas, como a questão do campo cpf que ela mencionou. Enfim, o SL dá uma independência bem maior para quem está utilizando os recursos da informática – desde o simples usuário até o profissional de computação. Ganha-se tempo, reduzem-se custos, aumenta-se a segurança. É isso aí! 🙂

  9. Como desenvolvedor de software essa relação é um tanto quanto clara para mim. Contudo achei interessantíssima a abordagem dada por todos. Parte dos usuários, são só do AVA, não tem a mínima idéia do que roda por trás do navegador, dos servidores da aplicação e da consciência de um programa por trás que gerencia todo o sistema. A discussão deixa claro a infra-estrutura necessária para execução de um sistema web e as vantagens de utilizar um software livre por trás.

    Meus parabéns

  10. Os convidados expuseram de forma clara sua opinião a respeito da questão proposta no artigo. Eu concordo com eles nos pontos em que dizem que é óbvio que a utilização da internet em um curso à distância já implica na utilização de diversos softwares, que podem ser livres ou proprietários. Essa discussão fica ainda menos necessária se tomarmos para análise uma tendência na computação moderna: a computação na nuvem. Por exemplo, o novo notebook lançado pelo google, que não possui armazenamento físico e que é praticamente um computador rodando apenas um navegador e seus complementos instalados. Fica clara a utilização de um software nesse processo, e a decisão de adotar um software livre ou não deve ser tomada.