Quais os efeitos a curto, médio e longo prazo da utilização de software livre na universidade pública brasileira?

Existe uma grande controvérsia a respeito da utilização do software livre nas instituições públicas. Os funcionários dividem-se entre os que temem uma adoção autoritária desse tipo de software e os que defendem que o software livre deve ser implementado, seja pela economia que se apregoa ser inerente a esse uso, seja por propriedades características desses softwares, de diversas naturezas. O software livre na universidade pública possui peculiaridades interessantes: a universidade não possui somente repartições nas quais softwares livres ou proprietários permitem a realização de tarefas típicas de escritório e gerenciamento, mas a utilização de softwares livres ou proprietários afeta sua produtividade nos campos da pesquisa, do ensino e da divulgação de conhecimento científico, que são, em última análise, a tríade de sua existência.

Tendo como horizonte esta pluralidade e a especificidade da Universidade enquanto instituição pública é que trazemos para vocês a resposta de nossos convidados especiais, pessoas que se juntaram a nós para discutir os temas do UEADSL. Vem discutir conosco!

Mesa redonda de encerramento com palestrantes convidados pela Comissão Organizadora.

Autores: Ana Cristina Fricke Matte: acris em textolivre.org
Patrícia Lopes Ferreira França: patricialopesvirtual em gmail.com
Gustavo Luiz Fernandes de Morais: gulfmorais em gmail.com
Alexandre Guelman Davis: agdavis em dcc.ufmg.br
Débora Rossini Martins Cardoso: deborarmc2008 em gmail.com

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9 thoughts on “Quais os efeitos a curto, médio e longo prazo da utilização de software livre na universidade pública brasileira?

  1. Os efeitos a curto prazo são as facilidades e a comodidade de se ter um produto de qualidade e mais seguro do que os softwares proprietários ou os piratas, que por sinal são os mais usados. A médio e longo prazo, podemos esperar aumento de produtividade e expertises nas ciência da informação e computação a partir do diálogo estabelecido com as universidades. Sobre a forma mais adequada de se implementar a utilização de softwares livres nos setores públicos, creio que deva ser mais democrática e se inicie pela conscientização dos usuários sobre os benefícios de tais medidas. Ainda existe muito preconceito por parte de usuários menos experientes. Costuma-se entender que o único benefício do software livre é o fato de ser gratuito, o que nem sempre é verdade, e com isso, julga-se que seja um produto de má qualidade. Ou seja, ainda falta educação.

  2. Gostaria de acrescentar argumentos aos já colocados pelos convidados desta mesa e mesmo pelo Carlos em seu comentário.
    Os efeitos do uso de software livre na Universidade não dependem só do software livre, depende dos usuários, dependem da postura da instituição.
    Se o único propósito for reduzir gastos, vai funcionar em alguns casos e não em outros. Um profissional que presta serviços em software livre é um profissional altamente qualificado. Certificação em linux, por exemplo, não é para iniciantes. Posso economizar em licenças para uso de softwares, mas não devo economizar no investimento em recursos humanos se quero um trabalho profissional no uso de software livre dentro da instituição.
    Mesmo assim, poderíamos colocar na ponta do lápis (opa, se usa isso ainda?) e concluir que o software livre, a médio e longo prazo, é bem mais econômico, mas, na minha opiniao, este não é o principal argumento para seu uso.
    Para entender meus argumentos, vamos falar de dois tipos de softwares: para fins gerais e para fins específicos. Os gerais são sistemas operacionais, suítes de esscritório, leitor e editor de PDF, editores de imagem, reprodutores multimídia, ou seja, programas que todo usuário precisa. Os específicos servem a pesquisas científicas e trabalhos específicos a profissionais em uma ou algumas áreas do conhecimento.
    A migração para o software livre no caso dos softwares para fins gerais não deve ser uma medida de curto prazo, a meu ver, pois qualquer mudança abrupta na interface afeta a produtividade dos usuários. Uma migração a médio prazo, feita por profissionais experientes e bem preparados, conduz a uma mudança na postura do usuário final, ensinando independência e destreza que o software proprietário limita. A longo prazo, resulta, portanto, em profissionais mais competentes, e se falamos de universidade isso afeta alunos, professores e funcionários.
    Já no que diz respeito a softwares de uso específico, o resultado é visível a curto e até curtíssimo prazo: a versatilidade dos programas livres, os quais são mantidos por comunidades que incluem profissionais da área em questão: são estatísticos produzindo softwares de estatística, cientistas da fala atuando junto a comunidades de softwares para análise de fala e assim por diante: o problema específico da área não poderia ser emlhor conhecido do que por profisisonais que nela atuam. Mas esse resultado imediato só tende a melhorar, porque os mesmos profissionais que disto se beneficiam vão colaborar para as melhorias que sentirem necessaŕias e, a médio e longo prazo, o resultado são softwares cada vez mais poderosos que, se proprietários, só seriam viáveis a um altíssimo custo, já que o investimento é alto e o mercado para tais softwares é, na maioria dos casos, extremamente diminuto.

  3. Sou a favor do uso de softwares livres nas universidades brasileiras. O texto escrito pelo meu grupo analisa exatamente essa questão: o uso desses programas na administração pública, ou seja, órgãos ou qualquer entidade ligada as esferas governamentais.
    Para uma faculdade é importante primeiro pelo valor pago em copyrights. O uso de software livre permite uma redução nos custos do setor de informática fazendo que esse montante possa ser investido com outras coisas que são realmente necessárias e que não tenha outra alternativa se não for pagar. Mas principalmente defendo o uso de software livre nas universidades tanto agora como também no futuro pelo desenvolvimento tecnológico que isso traz. Quando usamos programas pagos a tecnologia que é agregada foi toda desenvolvida no exterior e remetemos para lá uma boa quantia em dinheiro. Passando a usar os programas livres significa que terá um aumento de tecnologia nacional no setor levando em conta que tendo código aberto os desenvolvedores podem melhorar os sistemas e também adaptar eles as nossas necessidades sem um custo alto.

  4. Concordo com a opinião do Alexandre Guelman Davis de que os alunos devem carregar a mensagem da Free Software Foundation durante a sua carreira como forma de aumentar a participação das iniciativas open software no mercado em longo prazo. As empresas donas dos softwares pagos fazem o seu próprio marketing. Nada mais correto do que quem utilizar softwares livres e investir neles, fazer esse marketing. A propaganda “boca a boca” também traz resultados interessantes. Concordo também com a opinião da Debora Rossini Martins Cardoso sobre a questão do pedido de compra. Existe uma enorme burocracia na universidade para realizar compras, o que culmina em meses de espera. Economizar esses meses utilizando um software livre também é muito interessante.

  5. Como já bem apontado pelo Carlos Castro, a gratuidade não é a única vantagem do software livre. Na verdade, seu caráter coletivo elevam sua qualidade o que, na minha opinião, constitui a grande vantagem. Mas é importante que se conscientize os alunos que, em muitos casos, ainda não acreditam na qualidade do software livre. Talvez seja algum resquício da ideia equivocada segundo a qual o que é gratuito seja necessariamente pior.

  6. José Carlos,
    Você tem razão! À medida em que se fortalece o movimento do SL no Brasil, passamos a fortalecer a economia nacional, em vez de ficarmos só mandando o nosso dinheiro lá para o exterior – muitas vezes, para países economicamente bem mais favorecidos que o nosso!!!

    Assim sendo, o SL tem todo o potencial para auxiliar nosso país a se fortalecer economicamente e tecnologicamente. Além de aumentar a empregabilidade das pessoas – desde as políticas de inclusão digital para a população de baixa renda até o aumento do campo de emprego para pessoas já com curso superior.

  7. Um dos fatos levantados na discussão é a parte do servidor público que teme a imposição do software livre nas repartições públicas. Quanto a esse fato acredito que a adoção deve ser gradativa e deve-se deixar bem claro as vantagens além de adotar os softwares já estáveis para que não haja resistência ainda maior do setor público.

    Quanto a discussão sobre os efeitos a curto médio e longo prazo, concordo com vários argumentos colocados pelos colegas. Assim como o Alexandre Guelman também acredito que o especialista em computação deve levantar a bandeira durante toda sua carreira.

  8. No artigo o Alexandre e a Patrícia foram muito didáticos ao definir o papel que as universidades públicas brasileiras podem exercer na evolução e disseminação dos softwares livres. Fica claro que a universidade pode se beneficiar não apenas pela simples adoção de softwares livres, mas pela dinâmica inerente a um ambiente universitário, deve incentivar e realizar o seu desenvolvimento, com ganhos de todos os tipos para a comunidade universitária e a sociedade. Como listou a Débora, não se trata apenas de economia de recursos financeiros, mas de maior agilidade e eficiência nas pesquisas, visto a desburocratização via software livre.