Como você vê o futuro da EAD na universidade pública brasileira?

A mídia costuma ser implacável em relação à EAD: tomando por base uma realidade inegável na qual os antigos “cursos de fim de semana”, na maioria mas nem todos – justiça seja feita! – fábricas de diplomas, tornaram-se cursos a distância (mais baratos, mais cômodos e sem preocupação com a qualidade de ensino), a rajada de críticas contra a EAD é do tipo “atire antes e veja depois”, ou melhor, “atire antes e não veja depois”. A população é induzida a pensar que, sendo online, é de baixa qualidade.

Mas porque será que professores de universidades públicas, muitos com pesquisas financiadas por CNPq, CAPES e agencias de fomento estaduais como a FAPEMIG, apostam nessa modalidade de ensino? Com certeza é ofensivo para muita gente colocar qualquer tipo de EAD na mesma categoria. Pesquisas de âmbito nacional e internacional mostram inúmeras qualidades para uma EAD bem feita. Como qualquer modalidade de ensino, há bons e maus professores e ninguém julga que o ensino presencial é ruim porque existem maus professores. E, infelizmente, não são poucos.

Para refletir sobre este assunto, convidamos alguns dos inscritos no UEADSL a apresentar sua resposta à pergunta-chave desta mesa e convidamos você a enriquecer com seus comentários este debate.

Mesa redonda de encerramento com palestrantes convidados pela Comissão Organizadora.
Autores: Ana Cristina Fricke Matte: acris em textolivre.org
telma da silva barbosa: telmbarbosa em gmail.com
Marcelo Pires Dias: mpdias em live.com
ANA BEATRIZ GOMES CARVALHO: anabeatrizgpc em gmail.com

Sthenio José Ferraz Magalhães <sthenio em live.com>

Leia o ARTIGO COMPLETO aqui

16 thoughts on “Como você vê o futuro da EAD na universidade pública brasileira?

  1. Acredito que a EAD tem um futuro promissor. Esta modalidade de ensino vai permitir que muitas pessoas, independente de que região esteja tenha a possibilidade de receber uma formação, um conhecimento.
    É longo o caminho que se tem a percorrer como também é de vital importância que se pense na qualidade deste ensino. Para que isto aconteça é necessário que se priorize a Gestão da EAD. Tem-se que pensar numa maior facilidade de acesso para todos os interessados, oferecimento de material didático, e que cursos diversos sejam oferecidos. O investimento no aperfeiçoamento do professor (tutor) é primordial, reconhecer a capacidade e importância deste profissional também é fundamental.
    Necessário se faz também ressaltar a importância e eficácia do ensino da EAD, para isto um trabalho de contínua divulgação dos resultados que se vem obtendo, nos meios de comunicação, seria um fortalecimento da imagem da EAD.

  2. Concordo plenamente com o posicionamento de Ana Beatriz quando afirma que “as relações precárias dos tutores (e
    outros profissionais) com as IES que ofertam os cursos a distância fazem parte dos elementos responsáveis por resultados negativos na modalidade”. Pesquisas que apontam sucessos em EaD, mostram a qualidade da equipe envolvida em todo o processo. Essa posição também encontra eco na afirmação do enunciado da mesa sobre existir maus e bons profissionais em qualquer modalidade de ensino. Vejo que a presença face a face pode ser extremamente necessária em alguns casos. Contudo, está mais que comprovado que a socialização na internet pode contribuir para a construção de aprendizagem. Então, o que justifica não utilizar este potencial que pode contribuir tanto para ao ensino. Oportunistas existem e sempre existirão. Assim como no ensino presencial, temos que pesquisar a respeito da instituição de ensino que escolhemos

  3. E notório o crescimento das instituições de ensino superior em EaD que se dizem de ponta e vendem diplomas de nível superior, várias siatuações contribuem para este flagelo educacional, dentre eles podemoss destacar: 1)o perfil ético de profissional de alguns professores; 2) a falta de gestão comprometida.

    No tocante ao perfil ético de profissionais de educação, destaca-se que alguns profissionais que atuam em EaD, se permite atuar em espaços precários de ensino, sem a devida remineração, desvalorizando assim a arte de mediar a aprendizagem.

    Já a falta de gestão comprometida esta paraleo a falta de ética profissional, ppois assiste-se também a atuação de gestores autoritários e coercitivos e que só se preocupam em ganhar dinheiro e por perceber que a EaD é uma grande fatia de mercado tentam ludibriar muitos alunos que não acesso a informação ou até mesmo ao marco legal da EaD e veiculamm na mídia a propaganda de instituições educacionais que que se apoiam no sucesso temporário de artistas para captar novos alunos-clientes.

    Nesta de linha de pensamento, acredita-se que o lugar da EaD, seja num espaço que fomente o ensino, a pesquisa e aextensão e esse lugar é a universidade pública, mas para isto também deve-se atentar para a qualificação dos tutores, os quais também devem buscar levada qualificação educacional para creditar ainda mais o tripé das Universidade Pública, com qualidade.

  4. Eu, particularmente, não vejo o futuro da educação sem a EAD.
    A EAD, enquanto modalidade de ensino, vem ocupando um espaço cada vez maior na oferta de processos de ensino/aprendizagem.
    O que se torna necessário, do meu ponto de vista, é o aperfeiçoamento das formas de avaliação das instituições que oferecem cursos à distância, para que se garanta cursos de níveis compatíveis com os da EP (educação presencial).
    Além de curso de qualidade, a EAD de qualidade precisa de profissionais, os tutores (como são chamado os docentes), com formação e qualificação adequadas para ministrar na EAD.

  5. Antes de responder, peço desculpa aos autores pois o arquivo disponível até esta madrugada continha apenas a resposta da Prof.a Ana Beatriz e foi substituído pelo arquivo compleco agora.

  6. A qualidade do ensino presencial é tão complicada de avaliar quanto a qualidade do ensino a distância, no entanto colocam holofotes sobre esta última não para aplaudir, como luzes de auditores ferozes a buscar condená-la. É importante discutir qualidade em qualquer modalidade de ensino e eu confesso que mal comecei a trabalhar com aulas online e já cansei dessa perseguição ridícula contra essa modalidade que tem vantagens e desvantagesn exatamente como qualquer outra modalidade de ensino: em educação, não há fórmulas eficazes para todos os alunos. Nunca existiu, nunca existirá. Há que se cuidar da qualidade, sim, como em qualquer outra. Há que se buscar soluções de gerenciamento, do ensino a distância como em qualquer outro. Talvez eu esteja apenas desconsiderando que, para a maioria das pessoas, EAD é ainda novidade e por isso tanto destaque, tanto medo, tanto preconceito. Nossa sociedade é exímia em criar velhos preconceitos contra situações novas.

    Concordo com a Ana Beatriz, há que se repensar e reestruturar a gestão da EAD pois ela já é uma realidade na universidade e os resquícios históricos de sua institucionalização, se num momento inicial foram necessários, agora oneram o processo de desenvolvimento da modalidade.

    O investimento na EAD, como bem diz Marcelo, é decisivo para a democratização do ensino e da profissionalização num país como o nosso, de dimensões continentais e disparidades regionais imensas, de recursos e condições inclusive geográficas.

    A situação da UFMG não é muito diferente da relatada pelo Shtênio sobre a UFPE, também aqui enfrentamos resistência – de alunos e profesores – e o que mais me impressiona é o medo que vejo estampado na reações de colegas como se aulas a distância pudessem ser uma obrigatoriedade num futuro próximo, provocando reações defensivas. A questão é que o investimento na formação de futuros professores preparados para atuar tanto no online quanto no ensino presencial depende de superar a barreira do preconceito hoje.

    Eu, particularmente, sou contra inclusive a proibição de que um aluno de graduação não possa cursar mais do que 20% de suas disicplinas na modalidade online. Existem disciplinas que são melhor oferecidas online, outras são melhores face a face. Existem professores que atuam melhor em uma e outros em outra modalidade. Existem alunos que aprendem melhor se puderem usufruir da liberdade que a disciplina online propicia, enquanto outros não dão conta da autonomia necessária. A meu ver, essa restrição implica um desrespeito absurdo às diferenças que só existe com base numa visão deturpada segundo a qual se for a distância é pior.
    Assino embaixo das palavras da Telma: “Com a EAD o paradigma educacional muda. Sociedade e Universidade se
    aprimoram no ato do aprender a aprender por ser essencial à conquista de autonomia e excelência!” O aproveitamento racional e crítico – sim, porque sem crítica nada amadurece – do potencial da EAD pelas universidades é uma necessidade e permite prever mudanças em direção a um ensino compatível com a velocidade de produção de conhecimento que assitimos na atualidade e que tem sido a grande responsável pela distância quase insuperável entre o ensino de graduação e a pesquisa científica produzida hoje em dia na universidade brasileira.

  7. Acho importante o EAD como um fator motivacional ao estudo. Por exemplo, muitas pessoas não tem tempo suficiente para ficar deslocando para faculdade por trabalhar muitas horas por dia e não conseguir ajustar os horários. Além disso muitas cidades não tem faculdades e essa é uma oportunidade para levar educação superior para o interior do país, aumentando assim o grau educacional de pequenas localidades que não teriam essa oportunidade. Mas ao mesmo tempo não posso negar uma desconfiança da qualidade do EAD, me parece que por não ter uma cobrança “ativa” com o professor ao lado os alunos podem ter menos comprometimento. Mas como o texto bem defende isso pode ser uma opinião com preconceitos devido o tom usado pela mídia para tentar denigrir essa modalidade de ensino.

  8. Eu também acredito no futuro da EAD, mas o meu maior medo é que aconteça com ela o que acontece com o REUNI nas universidades brasileiras. Os dois são importantíssimos, porém “os carros acabam passando na frente dos bois”. A universidade, que ainda está investindo na estrutura e corpo docente, já recebeu e recebe todos os semestres centenas de alunos do REUNI, que acabam prejudicados pela falta de estrutura. Eu vejo a EAD também como um reflexo do REUNI. Potencial ela tem, só resta saber se o planejamento será feito para que ela cumpra o seu objetivo tão bem como o de uma matéria presencial (aquelas bem planejadas, claro!).

  9. Como a maioria aqui, também acredito no potencial da EAD, mas ela deve ser estruturada de maneira a não perder em qualidade, e isso envolve, é claro, toda a equipe que participa dessa modalidade de ensino. Destacaria a função de tutor que é o profissinal que está mais “próximo” do aluno.
    Creio também que ainda é necessário desmistificar a ideia de que o ensino à distância “é mais fácil”. Ainda encontramos muitos alunos que reclamam do “excesso de atividades”, como se esperassem que o curso não fosse tão consistente.

  10. Os artigos discorrem a favor da EAD pelas universidades. Fala também acerca da dificuldade em convencer as pessoas da eficiência desse mecanismo de ensino. Sobre isso, acredito que esse mecanismo terá que ser aprimorado no sentido de dar a mesma formação que uma universidade presencial. Nestas, existe a ministração de textos muito teóricos; os alunos são esforçados a investigar os textos a fim de adquirirem o conhecimento necessário. Lá se tem o intuito de forma pesquisadores. Enquanto no EAD os texto são dados ao alunos são artigos muito resumidos, os quais servirão apenas para que tenham acesso aos mercado de trabalho.

  11. É interessante pensarmos na convergência entre as modalidades a distância e presencial como uma possibilidade de inovação efetiva na educação. Concordo totalmente com Ana Cristina, existem disciplinas que são mais apropriadas para a EaD e outras em que a modalidade presencial é mais adequada. Podemos, inclusive, ter na mesma disciplina estratégias diferenciadas com momentos presenciais e a distância. A EaD já vem trazendo contribuições interessantes para o ensino presencial, já que a modalidade utiliza a tecnologia em todos os processos de ensino-aprendizagem. O chamado blended learning poderá amenizar as resistências e diminuir o abismo existente entre as modalidades nas Universidades.

  12. A Ana Beatriz trás a discussão um ponto fundamental para fomentar essa discussão:
    ”As mudanças recentes na estrutura do MEC e a discussão sobre o futuro da EAD indicam que o modelo está sendo repensado. As demandas dos grupos que executam e pesquisam a EAD não pode mais ser ignorado e postergado, o governo federal está sendo pressionado a rever as suas políticas e implementar novas diretrizes.”
    Vemos que o movimento de mudança nas Universidades e IES vem ocorrendo de forma crescente motivados “ainda” pelo financiamento da UAB. As pressões que vem ocorrendo para que haja autonomia financeira das IES perpassa por mudanças na legislação atual. Os Núcleos, inicialmente formados de EAD, tomam dimensão de departamento e os departamentos tem projeto de Universidade Pública de EAD. Os grupos de EAD se organizam com propostas de programas de mestrados em EAD.
    A universidade do Estado da Bahia vem crescendo muito em EAD. Já conquistou espaço físico próprio e organizou um grupo totalmente voltado aos cursos em EAD. Operacionaliza com a gestão do:Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor), do Ministério da Educação –MEC.Em jul./2011 a UNEB ofereceu 3.775 vagas para licenciaturas na modalidade a distância através do site: http://www.portonewsnet.com.br/?mw=noticias&w=3613.
    “A universidade aderiu ao plano em 2009, tornando-se a maior executora do Parfor no país. Atualmente mais de 250 municípios baianos estão sendo beneficiados com os cursos da UNEB. A instituição planeja graduar até o próximo ano, 20 mil professores por meio do plano nacional, sendo 6,5 mil em cursos na modalidade EaD.”
    Essa é uma demonstração de força social em prol da educação.

  13. Os textos escritos pelos convidados fazem um diagnóstico bastante lúcido do que se vê hoje nas universidades brasileiras quando o assunto é EAD. O ponto da Ana Beatriz de que a introdução do EAD nas universidades foi feita de forma um pouco atropelada é algo que acabamos por perceber nas disciplinas que estão disponíveis online. Creio que tem a ver com a pressa política do governo federal em expandir o ensino superior no Brasil. Entretanto, acho que mesmo com os problemas (que devem sim ser combatidos), a experiência é positiva. É positiva exatamente pela linha defendida pelo Marcelo, de que o EAD pode ser uma ferramenta importante de democratização do ensino, principalmente fora dos grandes centros. Concordo com ele quando diz que tem que se investir em gestão, pois o corpo profissional das universidades públicas brasileiras, é, em geral, excelente. Finalizando, ao falar sobre a resistência de alunos e professores ao EAD, concordo com o Sthenio. Nossa academia é conservadora e avessa à mudanças, em geral. No meu curso tive notícia de uma disciplina que foi cancelada pelo departamento, pois o professor se encontrava no exterior fazendo um pós-doutorado e estava dando aulas regulares, mas via conferência, em um assunto que era extremamente inovador. Com isso, os alunos perderam a chance de ter contato com uma linha de pesquisa de primeira linha, que está sendo desenvolvida nas melhores universidades da área.

  14. Errata do encerramento do post acima: “Essa é uma demonstração de força política, alavancada pela Universidade Pública em prol da educação”.
    Para tratar sobre crescimento da Universidade é possível observar no site: http://www.campusvirtual.uneb.br/ os diversos cursos regulares ou não, em andamento: 04 Especializações; 11 cursos de licenciatura, 02 cursos de bacharelados;03 cursos de extensão e 01 curso de aperfeiçoamento. Tudo isso usando o Moodle e em convênio-consórcio UAB.
    Quando Ana Matte remete ao texto de Ana Beatriz, dizendo que: “há que se repensar e reestruturar a gestão da EAD pois ela já é uma realidade na universidade e os resquícios históricos de sua institucionalização, se num momento inicial foram necessários, agora oneram o processo de desenvolvimento da modalidade.” Demonstra a preocupação de quem vive o processo e faz parte do grupo que busca alternativas para:levantar, discutir, produzir novas idéias e soluções para as questões, que são muitas!.
    Existe um movimento de fato, que vem ocorrendo nas diversas IES a respeito da promoção de concursos para organizar um quadro permanente de professores para atuarem nos cursos em EAD. Esse é um movimento político de vanguarda e que no meu entendimento, legitima o tutor como professor colaborando em políticas de fomento a pesquisa e extensão, consolidando o grupo de EAD como um departamento ou Campus no organograma da Universidade.
    Sobre vários outros pontos aqui levantados, por Ana Matte, Marcelo, Shtenio, Iraci, Emiliana, Maria José, Daniele, Leandro, Carlos Castro Thalita José Carlos, constatamos que essa diversificada experiência profissional remete a muitas faces!Pontos negativos que se acumulam e se acentuam e, também, muitos pontos positivos. Mas, isso faz parte do inegável desenvolvimento veloz que ocorre da EAD online no Brasil, motivo esse que nos trás a esta discussão produtiva promovendo uma cartografia cognitiva da Ead e do papel da Universidade Pública brasileira.

  15. Uma questão interessante que apareceu nos comentários da @iraci e da @emiliana diz respeito à importância da gestão da educação a distância para a melhoria na qualidade dos seus cursos. Aos poucos, uma cultura de EAD está se estabelecendo nas universidades públicas brasileiras, onde diversas pesquisas e inúmeras críticas têm contribuído para o seu aperfeiçoamento. Questões como a elaboração de materiais adequados, consistentes e contextualizados, além da valorização dos profissionais que trabalham com esta modalidade de ensino são alguns dos consensos que já começam a fomentar mudanças no cenário atual.

  16. O @igor traz um relato no seu comentário que demonstra como diversas experiências enriquecedoras e significativas ainda estão sendo descartadas pelas universidades por puro preconceito, considerando mais o ego da academia conservadora e menos as ricas experiências que os alunos poderiam vivenciar. Uma pena!