Dilemas no processo de democratização da universidade pública brasileira: a arriscada relação entre EAD e Software Livre

As universidades não são novidades no mundo ocidental. As mais antigas somam mais de 800 anos de existência. No Brasil, embora algumas faculdades isoladas apareçam já no século XIX, pode-se dizer que as universidades públicas no país – principalmente federais – sejam instituições do século XX. A grande maioria não soma nem um século completo de existência. Ainda que o número destas instituições esteja em franco crescimento, assume-se claramente o déficit – quantitativo e qualitativo – do ensino universitário no país, sendo imperativo empreender uma verdadeira democratização da universidade pública brasileira. Esse imperativo, por si só, denuncia que tal empreendimento ainda está por fazer. Recentemente, a partir do advento da internet, a EAD surge nesse cenário como possível solução para esse problema histórico. É também a partir da internet que os Softwares Livres (SL) têm gradativamente ganhado mais adeptos e fortalecido sua filosofia. Não por acaso, tais ferramentas têm sido associadas atualmente, considerando que a EAD tem muito a crescer com o apoio dos SL. Todavia, serão SL e EAD perspectivas intercambiáveis, ou pelo menos tão facilmente associáveis? Como tem ocorrido esse debate? Em que medida o SL, considerado como discurso político, tem refletido sobre os limites e possibilidades da EAD? Quais aspectos devem ser levados em conta, a fim de se compreender os impasses na relação entre EAD e SL? O que se pretende neste artigo, portanto, é refletir criticamente sobre a relação entre EAD e SL a partir do necessário processo de democratização da universidade pública no Brasil.
Autores: Thalles Ribeiro: thallespsi em hotmail.com

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8 thoughts on “Dilemas no processo de democratização da universidade pública brasileira: a arriscada relação entre EAD e Software Livre

  1. Gostei muito do seu artigo, principalmente do panomara que traçou sobre a implementação das universidades no Brasil. Muitas vezes nos esquecemos de que o próprio conceito de educação evoluiu ao longo do tempo e de que a democratização do mesmo passou a ser um assunto de grande relevância. Bom trabalho!!

  2. O artigo levanta questões pertinentes ao problematizar a visão distorcida que se pode ter acerca da EaD e dos softwares livres. Seu posicionamento é bastante crítico e reflexivo em relação ao tema abordado. Faz-se necessário, como você discorreu ao longo de seu texto, discutir essas questões. Muito interessante também o percurso histórico que você apresentou sobre o ensino superior. Parabéns pelo seu trabalho!

    Considerando que a EaD deve ser vista como complementar ao ensino presencial, como você vê as disciplinas onlines, que você tem conhecimento, ofertadas na UFMG?

  3. Olá Karen,

    Obrigado pelo comentário.

    Acho que esse debate entre diferentes modos de ensino deve ser sempre contextualizado. Entender o surgimento da EAD requer não apenas pensar sobre nossas metas futuras de crescimento na área educacional, mas também refletir sobre os caminhos que temos percorrido até o momento. Toda ingenuidade nessa tarefa incorrerá em graves erros.

    Ademais, pensar a nossa história educacional implica em desvendar as lutas e interesses políticos envolvidos. É fundamental reconhecer o cenário econômico e social em que esse embate se dá. Por isso, toda novidade educacional deve ser contextualizada. O fracasso da Escola Plural, por exemplo, é antes um fracasso político, do que pedagógico, pois se assentou na crença de que um instrumento bom, sempre será bom, independente de quem o maneja.

    Paulo Freire dizia que a educação não promoverá a transformação (toda) que a sociedade precisa, mesmo considerando que essa transformação não ocorra sem ela. Isso significa que a própria educação tem limites também, ainda mais um instrumento específico. Espero que a EAD não ocupe o lugar de “pedra angular” da educação brasileira, qual canivete suíço com mil e uma utilidades.

  4. Olá Michelymara,

    Obrigado pelo comentário e pela questão.

    É a primeira vez que realizo uma disciplina online na UFMG. Na minha experiência pessoal foi positivo, pois consegui me dedicar mais à produção de textos. Embora veja problemas na disciplina, não diria que estes residem no fato de ser online. Não conheço outras disciplinas nesse molde, mas sei que em alguns cursos de graduação da UFMG essa ferramenta começa a ser mais largamente empregada.

    É importante frisar que essas disciplinas online ajudam a economizar tempo com a obtenção de créditos, e não necessariamente são piores que as chamadas “presenciais”, simplesmente por serem “à distância”. Mas, é sempre importante também refletir sobre as causas profundas do surgimento dessas disciplinas, principalmente em tempos de “Reuni”.

  5. Parabéns Thalles Ribeiro! Excelente artigo, organizadíssimo e muito didático. Brilhante a conclusão: ‘Uma saída seria considerá-la como complementar e enquanto instrumento, mas nunca como alternativa e filosofia educacional’. Merece ser amplamente divulgado.

  6. Acredito que, em alguns casos, a existencia de cursos completamente à distância, ou mesmo faculdades inteiramente à distância está relacionado com algum fator econômico, com fins rentáveis, o que gera muitas vezes o preconceito quanto a esse método de ensino. A educação a distância é um recurso de extrema importância para atender a grandes demandas de alunos de forma mais efetiva que outras modalidades, no entanto não deve substiuir o metodo tradicional.

  7. Gostei da trajetória histórica traçada pelo artigo, contribuiu muito para o meu compreendimento. Me chamou atenção o tema democratização. Muito bom!