nov 27

Lançamento do Livro: “Memórias de letramentos: vozes do campo”

Este é um livro sobre aprendizagens. Como todo trabalho sobre esse tópico, ele é educativo e, antes de tudo, emocionante. Podemos aprender muito a partir dessa leitura permeada de várias vozes do campo, que nos trazem práticas de alfabetização e letramentos nem sempre previstas pelo olhar acadêmico, mas que contribuíram e contribuem significativamente para o processo formativo do nosso povo.

Podemos aprender sobre a importância das lutas na busca pelo conhecimento, o que envolve situações desafiadoras como: correr para fugir da chuva de uma escolha destelhada e se abrigar na igreja mais próxima, caminhar por horas para chegar à escola, enfrentar falta de merenda, estudar à luz de lamparina, acordar extremamente cedo ou, ainda, passar o dia todo entre o ônibus e a escola. Podemos perceber o quanto se pode aprender com práticas cotidianas e lúdicas, feito a famosa brincadeira de ‘escolinha’, pela qual muitos passaram, bem como os causos dos mais velhos à beira do fogão de lenha. Essas experiências são trazidas por estudantes do curso de Licenciatura em Educação do Campo (LEC) da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM).

Há, nos relatos, a menção a livros que fazem parte dessas histórias como O diário de Anne Frank, A história sem fim, Poliana, O Fantasma do Tarrafal, O Barquinho Amarelo, O Navio Negreiro, A Bonequinha Preta, A Vida Secreta de Jonas, O Menino Maluquinho, A festa no céu, A Marca de uma Lágrima, Linéia num jardim de Monet, Minha Vida de Menina, Iracema, Lucíola, Senhora, a Bíblia, dentre vários outros, muitos conhecidos do grande público, mas a maioria sem citação dos autores. Há relatos de leituras de autores clássicos de literatura
brasileiros, como Álvares de Azevedo, Aluísio de Azevedo, Machado de Assis, José de Alencar, Vinícius de Moraes e Carlos Drummond de Andrade; de clássicos gregos, como Homero; o francês Charles Baudelaire; o estadunidense Edgar Allan Poe e best sellers como os de Sidney Sheldon. Uma das poucas autoras citadas é Raquel de Queiroz. Há espaço para os cartuns de Ziraldo e para os animes. Notamos, assim, que os personagens também são muitos e diversificados. Há os brasileiríssimos Jeca Tatu e Mônica, o estadunidense Bambi, o japonês Pokémon e outros já consagrados no imaginário ocidental, como Chapeuzinho Vermelho, os Três Porquinhos e João e Maria. Há também os personagens de causos ontados pelo pai, como um certo hortaleiro e um príncipe, e os dos livros doados por tios e irmãos.

As professoras aparecem com frequência, e muitas delas são carinhosamente chamadas de tia. Conheceremos os esforços das alfabetizadoras Cida, Raquel, Salete, Rosária, Maria do Rosário, Dilvânia, Shirly, Nardete, Mariza, Amarailda, Idalina, Dona Martinha e Dona Sirlene, dentre outras. Saberemos de uma professora que comprava livros para suprir a escassez da escola. Curiosamente – ou nem tanto, quando se conhece a realidade das salas de aula – há 8
poucas referências a professores homens, como os citados Paulo Natalício, o Valdir e o Tutu. Os bons resultados desses professores, no contexto de pouca formação acadêmica, são uma vitória incontestável de quem toma para si a luta pela educação.

Nessa luta, o papel dos familiares e da comunidade também se mostra fundamental na apresentação de novos textos e na motivação dos pequenos. É o caso do Tio Bené, da Tia Maria, do vô Levindo e de irmãos mais velhos que ora ajudavam na decoreba, ora acompanhavam a irmã no castigo ou no enfrentamento da professora. É o caso do Sebastião, o vizinho que lia histórias para as crianças, e da vizinha Estela, que habitualmente emprestava
papel e lápis de cor.

As práticas de escrita acontecem formal e informalmente. Há relatos de rabiscos de carvão nas paredes que eram o único suporte para as primeiras práticas com a escrita de uma criança; de diários e poemas produzidos por iniciativa própria; do Jornal Mural que foi definitivo na motivação para a leitura de uma estudante; do mural com os nomes dos melhores leitores da escola acompanhados de uma estrelinha; da curiosidade diante de textos religiosos presentes na vida familiar; da inusitada técnica de cópia de desenhos que usava querosene no papel; e até a aprendizagem autônoma de uma criança de cinco anos que assistia às aulas
da mãe sem nenhum compromisso, mas um dia leu a palavra ó-le-o na lata do produto. As escolas, por sua vez, eram sobretudo públicas, como as municipais e as estaduais, ou de associações, como algumas creches e as Escolas Família Agrícola (EFA).

Temos certeza que essa experiência de leitura será muito rica para todos aqueles que se interessem pelo diálogo sobre a educação. Boa leitura!

Carlos Henrique Silva de Castro e Luiz Henrique Magnani
Licenciatura em Educação do Campo – Linguagens e Códigos
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri – UFVJM
Diamantina – MG, novembro de 2017
Autores: Carlos Henrique Silva de Castro

Baixe o LIVRO COMPLETO aqui.

nov 23

Boas Vindas do CAED ao UEADSL (vídeo)

Vídeo de Boas-vindas ao UEaDSL gravado pelo professor Wagner Corradi, Diretor de Educação a Distância da UFMG.

Autores: Wagner Corradi

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nov 23

Em defesa da Universidade, da Educação a Distância e de Software Livre

Este texto apresenta algumas ideias a respeito de universidade, de educação a distância e de software livre, objetivando engrossar movimentos de resistência que buscam construir outras formas de pensar e viver. Ressignificação de discursos e posturas políticas mais claras são indispensáveis nesse processo.
Palavras-chave: universidade, educação a distância, software livre, movimentos de resistência.
Autores: Adriane Teresinha Sartori

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nov 21

Letramento político e militância na ocupação Paulo Freire em Belo Horizonte

Este artigo objetiva apresentar a experiência de letramento de dois moradores da ocupação Paulo Freire, a partir da luta junto ao Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB, no processo formativo de letramento político e militância. Os moradores serão analisados a partir de uma entrevista e de informações disponibilizadas pelo movimento. Portanto mostrará a importância da formação política através da pratica da militância.

Palavras-chave: Letramento político, Ocupação, Militância, Movimento Social
Autores: Maura Rodrigues Estevão

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Este artigo recebeu Menção Honrosa pela Comissão Científica do UEADSL2017.2

nov 21

A importância dos gêneros jornalísticos em construção de letramentos no âmbito da educação

O presente artigo traz uma reflexão sobre a importância dos gêneros jornalísticos no âmbito da educação. Nesse sentido, analisamos os conteúdos de alguns livros didáticos escolares e observamos de que forma que esses gêneros contribuem no desenvolvimento de letramento dos estudantes. Concluímos que os gêneros em discussão proporcionam letramentos diversos bem como a construção de pensamento crítico.
Autores: Renata Mendes Assis
Tatiane Mendes Sousa
Alessandra Gomes Rodriges

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nov 15

Formas de papel e conteúdo fantástico

O ensaio busca entender a relação entre forma e conteúdo usando as animações feita pela alemã Charlotte Reiniger, pioneira da arte de contar história fantásticas com recortes de papel criando uma espécie de teatro das sombras. A animação escolhida para formulação do artigo é Neve Branca e Rosa Vermelha (orig. Snow White and Rose Red), de 1954. Apoiando-se na teoria Greimasiana de Semiótica, a análise busca compreender como a técnica da artista servia de ótimo apoio para os contos de fadas que ela recriava.
Autores: Lilian Martins Ramos

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nov 15

Software livre numa abordagem social

Desde o início da utilização de computadores, houve uma iniciativa por parte de seus desenvolvedores em prezar na maioria das vezes o lucro com a tecnologia e principalmente a manipulação de seus usuários. Foi então que a comunidade tecnológica implantou o software livre como estratégia de proteção para seus usuários.
Autores: Daniel Fernando de Witt Schumann

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nov 15

Usos e apropriações do celular no processo de ensino aprendizagem no ensino médio e superior

O trabalho terá como objetivo analisar os usos e apropriações do celular no processo de ensino aprendizagem no ensino médio e superior na perspectiva dos alunos. A partir de entrevistas com questionários fechados com grupos de estudantes de uma turma no ensino médio e outra no ensino superior, procura-se investigar as possibilidades de uso dos dispositivos móveis em sala de aula. A hipótese é de que ainda não são exploradas as potencialidades dos recursos da tecnologia no cotidiano escolar.
Autores: Elivelton Saggiorato Chortaszko

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Este artigo recebeu Menção Honrosa pela Comissão Científica do UEADSL2017.2

nov 15

A gênese do movimento Manguebeat

O presente artigo têm por objetivo identificar como se deu a origem do movimento do manguebeat. O movimento teve sua origem nos anos 1990 englobando ritmos tradicionais e modernos da música brasileira e internacional. Trata-se de um estudo descritivo e exploratório que utilizou como procedimento técnico a pesquisa bibliográfica. O artigo acaba evidenciando a gênese do movimento manguebeat bem como alguns de seus marcos históricos e sua importância para o Recife/PE e o Brasil.
Autores: Éder de Souza Beirão

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Este artigo recebeu Menção Honrosa pela Comissão Científica do UEADSL2017.2

nov 15

Software livre na educação

Software livre (SL) tem como base não o lucro, mas sim a criatividade e as possibilidades de expressão que são garantidas ao usuário. Sua principal característica é o livre acesso ao código-fonte, em que, partindo-se das suas modificações estruturais, o software livre traz a facilidade de ser recriado pelo usuário com fins acadêmicos ou de experiências compartilhadas por um estudante.
Autores: Jefferson Rocker Miotto
Roberto Junior Savi Mayer

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